15/06/2021 13h10
Governo planeja benefício mensal de até R$ 250 para órfãos da covid-19
O governo quer criar um benefÃcio especial para órfãos da covid-19 dentro da reformulação do programa Bolsa FamÃlia. O valor em estudo está entre R$ 240 e R$ 250 por mês por criança e adolescente, segundo simulações feitas pelo Ministério da Cidadania.
O benefÃcio seria dado automaticamente para crianças e adolescentes de famÃlias incluÃdas no programa de transferência de renda em que um responsável familiar, cônjuge ou adulto tenha falecido em decorrência da covid-19 desde o inÃcio da pandemia. O benefÃcio será pago até os 18 anos.
O Brasil se aproxima de 500 mil vÃtimas da covid-19, e o próprio governo é alvo de uma CPI no Senado, que investiga se houve negligência por parte de autoridades federais no trato da pandemia. Dependendo do relatório final, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Panzuello podem ser responsabilizados.
O governo estima gastar R$ 196,2 milhões em 2022 para ajudar 68 mil crianças e adolescentes de 35 mil famÃlias que, neste momento, se enquadram nesses critérios. O martelo final das regras do programa ainda não foi batido por Bolsonaro.
A identificação será feita por meio do Cadastro Único de programas sociais, um instrumento de coleta de informações para identificar todas as famÃlias de baixa renda existentes no PaÃs para fins de inclusão nos programas de assistência social e redistribuição de renda. Com essas informações, seriam feitos cruzamentos em base de dados adicionais, como as da DataPrev, para identificar os futuros beneficiários.
A ideia é que esse benefÃcio não seja contabilizado na renda do Cadastro Único para o acesso aos programas sociais - ou seja, o valor não seria incluÃdo para o cálculo da renda familiar. O municÃpio faria o acompanhamento da nova famÃlia da criança.
Detalhamento
Para o consultor do Congresso Pedro Fernando Nery, o valor em discussão, entre R$ 240 e R$ 250, é certamente um grande avanço em relação ao nÃvel do Bolsa FamÃlia, cujo benefÃcio médio está em torno de R$ 190. "Fica a dúvida sobre quem terá direito e qual será o limite por famÃlia. Porque, se for R$ 250, mas só puder receber quem for muito pobre, seria problemático", diz.
Nery ressalta a necessidade de que o governo garanta que o benefÃcio possa ser acumulado dentro da mesma famÃlia. Assim, o valor por pessoa se aproximaria da quantia recebida por famÃlias pobres em que o falecido era empregado formal, deixando pensão de um salário mÃnimo no INSS.
Em artigo recente publicado no Estadão sobre o tema, Nery chamou atenção para o problema dos órfãos da covid-19. Por diversas razões, a pandemia vitima mais pessoas mais pobres. E suas famÃlias podem não contar com uma rede de proteção que foi a base de onde se expandiram os Estados modernos: a pensão por morte. Para deixar pensão, é preciso contribuir para o sistema previdenciário, destacou o pesquisador. Empregados com carteira podem deixar o benefÃcio da pensão, mas desempregados ou empregados informais não, mesmo que suas famÃlias fiquem mais vulneráveis à miséria.
"Esse não seria um problema tão grave se houvesse algum benefÃcio infantil robusto no PaÃs, como existem em muitos paÃses desenvolvidos. No Bolsa FamÃlia, as crianças órfãs teriam direito somente a R$ 41 por mês cada, e apenas se a renda familiar fosse muito baixa", ressalta.
Nery alerta que, segundo a Fiocruz, foi na faixa etária entre 20 e 29 anos que os óbitos mais aumentaram entre o inÃcio do ano e o auge da segunda onda da doença. O crescimento foi de mais de 1.000% no perÃodo. A partir do momento em que mais jovens passam a morrer vÃtimas da pandemia, deve haver um aumento também do número de crianças que perdem o pai ou a mãe.
Para a diretora institucional da Rede Brasileira de Renda Básica, Paola Carvalho, o benefÃcio emergencial já deveria ter sido estendido à s famÃlias que perderam membros que as mantinham economicamente. "Nós reafirmamos isso ao governo, pois, se chegamos a quase 500 mil mortes, precisamos olhar com muito cuidado para a proteção social dessas famÃlias, em particular através da assistência social, com a finalidade de proteger de forma regular e contÃnua os mais vulneráveis."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo