08/02/2018 17h50
Governo quer criar força-tarefa para investigar cartéis em combustíveis
O governo que criar uma força-tarefa com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a PolÃcia Federal para investigar a formação de cartel na venda de combustÃveis. Nesta quinta-feira, 8, pela manhã, o presidente do Cade, Alexandre Barreto, se reuniu com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e com o diretor-geral da PolÃcia Federal, Fernando Segovia, para discutir o tema.
Nesta quinta-feira, Moreira Franco enviou ao Cade um ofÃcio em que solicita que o órgão tome providências para que os benefÃcios da nova polÃtica de preços de combustÃveis adotada pela Petrobras cheguem ao consumidor final "garantindo a liberdade de preços prevista na legislação".
Desde o ano passado, a Petrobras passou a reajustar os preços dos combustÃveis frequentemente, de acordo com a variação no mercado externo. Mais cedo, Moreira Franco disse que, quando a Petrobras abaixa os preços dos combustÃveis, isso não tem tido reflexo nas bombas. "O consumidor tem o direito a escolher preço mais baixo, mas isso só acontece quando há concorrência. O que percebemos é que existe cartel nos postos de gasolina", disse o ministro.
Na quarta-feira, o presidente do Cade, Alexandre Barreto, disse que o fato de a queda de preços na refinaria não ser repassada à s bombas pode ser considerado um "indÃcio de cartel", mas que a investigação tem que ser acompanhada de outros elementos. Em nota, o órgão afirmou que "em cumprimento à sua função de zelar pela livre concorrência, o Cade monitora constantemente os mercados e apura eventuais indÃcios de infração à ordem econômica que detecta".
O Cade disse ainda que, "em linha com a preocupação externada pela Secretaria-Geral da Presidência da República", planeja formas coordenadas e sistemáticas de combate ao cartel em combustÃveis.
Investigações
Apesar da ofensiva do governo, investigações de cartéis no mercado de combustÃveis são recorrentes no Cade, que tem oito processos em aberto e julgou outros 17 desde 2012, quando entrou em vigor a nova lei da concorrência.
Estão em investigação na superintendência-geral do Cade conluios em postos de gasolina no Distrito Federal, João Pessoa (PB), Joinville (SC) e Natal (RN). Além disso, já estão para ser julgados pelo tribunal do Cade um segundo processo que apura cartel em postos de Natal (RN) e em Belo Horizonte (MG).
As maiores multas aplicadas pelo Cade no setor foram para cartéis em postos de combustÃvel de Caxias do Sul (RS), de R$ 65 milhões, e no PiauÃ, de R$ 41,3 milhões. O Cade condenou ainda outros esquemas em São Paulo, Bahia, Paraná, Amazonas, Minas Gerais e Maranhão.
Para o advogado e ex-conselheiro do Cade Olavo Chinaglia, investigações de cartéis em postos de combustÃvel têm efeitos pontuais no local de atuação do esquema, mas, para que haja um impacto nacional, é necessário também olhar para a distribuição dos produtos e discutir o monopólio da Petrobras no refino de petróleo.
O profissional defende que a Petrobras tem um poder muito grande que acaba definindo os preços na distribuição e no varejo. "Você tem o Cade condenando cartéis de postos de combustÃveis há 20 anos e o problema persiste. Se o objetivo é baratear para o consumidor, limitar a discussão sobre o fornecimento de combustÃveis no Brasil à intervenção do Cade é desviar o foco do problema principal, que é o marco regulatório brasileiro e a maneira como a Petrobras se relaciona com as distribuidoras", afirma.
Fonte: Estadão Conteúdo