28/04/2021 13h10
IBGE divulga nota técnica sobre o processo de ponderação da Pnad Contínua
O Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE) informou que está fazendo alterações no cálculo e na divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho no PaÃs para amenizar a influência da redução na taxa de resposta sobre os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios ContÃnua (Pnad ContÃnua). Em nota técnica distribuÃda à imprensa nesta quarta-feira, 28, o IBGE informou que está conduzindo estudos para "tentar investigar a presença de viés associado a um método de coleta distinto do habitual". Desde o agravamento da pandemia de covid-19 no PaÃs, o órgão suspendeu a coleta presencial de informações, passando a fazer as entrevistas da pesquisa remotamente.
Conforme noticiado pelo Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) em reportagem publicada no último dia 6 de abril, economistas apontavam que as informações obtidas via telefone pela Pnad ContÃnua podiam estar subestimando o alcance do emprego formal, além de mostrar uma expansão extraordinária na população em idade ativa.
A coleta de dados da pesquisa tem sido feita exclusivamente por telefone desde o segundo trimestre de 2020, o que provocou uma redução na taxa de resposta total da pesquisa, especialmente a referente aos domicÃlios entrevistados pela primeira vez. O IBGE explica que, em geral, não possui o número de telefone desses entrevistados selecionados, porque esses domicÃlios ainda foram visitados pelos entrevistadores.
"Devido à rotação da amostra, os domicÃlios de primeira entrevista carregaram o baixo aproveitamento para as demais entrevistas, resultando em quedas significativas na taxa total de resposta da pesquisa", diz o IBGE na nota técnica.
O órgão lembra que realiza estudos de confiabilidade nos resultados da Pnad ContÃnua desde que houve a mudança na forma de coleta, como simulações com as taxas de resposta obtidas em 2020 para os trimestres correspondentes de 2019, "a fim de observar como se comportariam os principais indicadores da pesquisa".
"Os resultados ficaram dentro do intervalo de confiança esperado para a maioria dos domÃnios de estimação", garantiu o IBGE.
Outro teste ainda em andamento busca avaliar um modelo logÃstico como ferramenta para identificar se algumas caracterÃsticas influenciam mais na propensão de resposta do que outras.
"A partir dos resultados prévios do estudo, decidiu-se por restringir temporariamente alguns nÃveis de desagregações de indicadores para amenizar os efeitos da influência dessas caracterÃsticas nos resultados", explicou o IBGE.
O órgão esclarece ainda que, na ausência de resposta de domicÃlios, o processo de tratamento dos resultados obtidos pela pesquisa considera a perda como aleatória e uniforme dentro das Unidades Primárias de Amostragem (UPA) da pesquisa.
"É um método considerado robusto, pois espera-se que domicÃlios pertencentes à s mesmas UPAs sejam bastante semelhantes entre si. O estudo realizado considerou um modelo de propensão de resposta, diferenciado pelo tipo de entrevista. Para os domicÃlios que estavam na 2ª entrevista em diante, o modelo considerou uma série de variáveis relativas à s entrevistas anteriores, tais como: sexo e idade dos moradores, condição de atividade, rendimento, entre outras. Para os domicÃlios de 1ª entrevista, uma vez que não havia informações prévias dos moradores, somente puderam ser utilizadas variáveis estruturais, como: situação do domicÃlio, tipo de área e rendimento da UPA", relatou o órgão na nota técnica.
O IBGE ressalta que os problemas enfrentados pela equipe responsável pelo tratamento dos dados da Pnad ContÃnua concentram-se, principalmente, nas primeiras entrevistas, o que levou os pesquisadores à conclusão de que o modelo de ajuste atual ainda seria adequado.
"Por fim, em relação ao aprimoramento do processo de expansão da PNAD ContÃnua, o IBGE vem elaborando outros estudos considerando a questão da cobertura de acesso ao telefone e questões relacionadas ao viés de disponibilidade, ou seja, maior concentração entre os respondentes da pesquisa de pessoas com determinado perfil de sexo e idade. Cabe mencionar que, além do ajuste de não resposta, os fatores de expansão passam por um processo de calibração para compatibilizar com os totais das estimativas populacionais para domÃnios geográficos", acrescentou a nota.
O IBGE informou ainda que já estudava incorporar as estimativas por sexo e idade no processo de calibração dos entrevistados, "de forma a recompor a estrutura demográfica dentro das pesquisas". "Mediante as incertezas trazidas pela pandemia, quanto ao retorno da coleta de dados presencial da PNAD ContÃnua, decidiu-se antecipar o processo de calibração das estimativas por sexo e idade, minimizando os efeitos dessas caracterÃsticas nos resultados, ajustando os pesos amostrais. Tão logo esse processo esteja concluÃdo, o IBGE dará conhecimento à sociedade, apresentando a série reponderada", concluiu.
Fonte: Estadão Conteúdo