05/09/2019 18h20
Ibovespa tem segundo dia de recuperação impulsionado por papéis de bancos
A notÃcia do agendamento de reunião bilateral entre americanos e chineses em outubro, aliada à perspectiva de redução dos juros nos Estados Unidos, elevou o apetite por risco nos mercados internacionais nesta quinta-feira. Em sintonia com a alta firme das bolsas americanas, o Ibovespa emendou o segundo pregão seguido de recuperação. Depois de correr até a máxima dos 103.258,48 pontos pela manhã, o principal Ãndice da B3 perdeu um pouco do Ãmpeto e encerrou o dia aos 102.243,00 pontos, em alta de 1,03%, levando os ganhos na semana a 1,10%.
Entre as blue chips, o destaque foram os bancos. A ação do PN do Itaú Unibanco, papel com maior peso no Ãndice (cerca de 9%), subiu 2,84%. As PN do Bradesco (por volta de 7% do Ãndice) avançaram 2,45%. O Ãndice Financeiro (IFNC) encerrou os negócios com valorização de 2,01%, batendo com folga os outros Ãndices setoriais. Analistas ressaltam que as ações dos bancos também apresentam um desempenho inferior ao do Ãndice no acumulado do ano e que, portanto, havia espaço para uma alta mais forte.
Segundo o analista de ações da Ativa de Investimentos, Ilan Arbetman, os papéis dos bancos se beneficiaram do aceno do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de uma possÃvel diminuição dos depósitos compulsórios.
Em evento em BrasÃlia, Campos Neto afirmou que o Brasil tem "um volume de compulsório alto, em torno de R$ 400 bilhões" e que, com a adoção da Assistência Financeira de Liquidez (AFL) - que prevê criação de duas novas linhas de crédito para instituições financeiras -, será possÃvel "reduzir bastante" o nÃvel dos compulsórios.
"Com compulsório menor, é possÃvel elevar o crédito, o que ajuda no crescimento da economia. Isso mostra que o BC está considerando medidas expansionistas", diz Ilan, ressaltando que Campos Neto também sinalizou que haverá mais cortes da Selic, ao dizer que a inflação está "bastante ancorada no curto, no médio e no longo prazo".
Apesar de dados fortes de criação de vagas no setor emprego privado nos Estados Unidos em agosto (195 mil, ante expectativa de 140 mil), a perspectiva é de que o Federal Reserve promova ao menos uma nova redução da taxa de juros, após declarações em tom 'dovish' de dirigentes da instituição na quarta. "Afastado o risco de recessão global e com alÃvio na guerra comercial, uma queda dos juros nos Estados Unidos e mais estÃmulos pelo Banco Central Europeu tendem a beneficiar os paÃses emergentes", afirma Bruno Madruga, responsável pela área de renda variável da Monte Bravo.
Segundo ele, um aumento da liquidez global, conjugado com perspectiva de recuperação, embora ainda lenta, da economia brasileira nos próximos trimestres, garante a tendência de alta do Ibovespa. "Muitos ruÃdos podem acontecer, principalmente com o cenário externo, mas a expectativa segue positiva", afirma Madruga, ressaltando que quedas como a observada em agosto, quando o Ibovespa desceu até a casa dos 96 mil pontos, abrem oportunidades para compra de ações. "No ziguezague do dia a dia, o Ibovespa pode perder os 100 mil pontos, mas a tendência é que o Ãndice supere os 110 mil pontos até o fim do ano."
Fonte: Estadão Conteúdo