20/04/2022 18h10
IBP rebate conselheiro do Cade sobre Opep e diz que fala reflete desconhecimento
O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural (IBP) reagiu à s declarações do novo conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto, ao Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) e ao jornal O Estado de S. Paulo, em sua primeira entrevista no cargo. Segundo Augusto, a Petrobras adota uma "conduta anticoncorrencial" ao definir os preços dos combustÃveis com base nas ações de um cartel internacional: a Organização dos PaÃses Exportadores de Petróleo (Opep), o que não é verdade, observou o IBP.
"Existem uma dificuldade no Brasil de ultrapassar conceitos da década de 70. Hoje a gente tem uma dinâmica geopolÃtica muito mais complexa do que a década de 70, quando a Opep se formou. Hoje não é mais assim", explicou a diretora de Downstream do IBP, Valéria Lima."A fala do conselheiro reflete um certo desconhecimento da dinâmica atual de preços", completou.
Ela ressalta que o mercado hoje tem novos agentes produtores de petróleo e exportadores, e, principalmente, tem os Estados Unidos, com uma grande capacidade de moderar os preços por causa do shale oil, e não apenas a Opep. "O shale gas ou oil tem uma capacidade muito rápida de retomar a produção, o que coloca os Estados Unidos numa posição muito interessante nesse mercado, até para poder não deixar que os preços subam muito", avaliou.
Lima destacou também, que hoje os próprios paÃses que pertencem à Opep têm divergências grandes. No inÃcio da pandemia, por exemplo, quando a Rússia - que faz parte do Opep+ -, não quis acompanhar o movimento de redução da produção determinado pela Opep, assim como outros paÃses de fora do grupo. "Isso mostra que você não tem um funcionamento tão coeso para dizer que a Opep é a definidora de preços, de que existe um cartel tão coeso que define preços no mundo inteiro. Chegou a ter preço negativo de petróleo nessa época porque os paÃses não aceitaram reduzir a produção", informou.
A diretora destaca ainda, que nesse momento especÃfico, a alta do preço do petróleo, que tem girado em torno dos US$ 100/US$ 120 o barril, tem dois elementos principais: a invasão da Ucrânia pela Rússia e a guerra interna na LÃbia. "Você dizer que a Opep dita o preço principal é simplificar demais a questão geopolÃtica, principalmente nesse momento de guerra que a gente vive", alertou.
Na avaliação de Lima, por ser exportador de petróleo, o Brasil precisa deixar de sofrer pelo preços altos, já que se beneficia dessa valorização. Em 2022, a previsão é de que a arrecadação do governo cresça 60% em relação a 2021 no setor de petróleo devido à valorização da commodity. "A gente vive um momento de inflação mundial e o IBP tem a tese de que uma questão importante para baixar o preço dos combustÃveis é a mudança do ICMS, que vai passar a ser fixo. O estado tem alguns mecanismos para proteger a população mais vulnerável, como o vale gás, para os que recebem o auxÃlio Brasil", afirmou, ressaltando que nada justifica colocar subsÃdio generalizado para toda a economia, já que tem uma parcela da população que pode pagar.
Fonte: Estadão Conteúdo