06/05/2017 07h57
Idade mínima de 65 anos é regra em vários países
Diante do envelhecimento de sua população e de um déficit bilionário entre os recursos que entram e os que saem na Previdência, estipular uma idade mÃnima para o inÃcio da aposentadoria é considerado pelos especialistas como um passo fundamental para equilibrar as contas.
Nos paÃses desenvolvidos, cuja maioria já passou por um perÃodo de transição demográfica, a idade mÃnima é dominante - e vem subindo. A marca de 65 anos para os homens, que o Brasil quer adotar (no caso das mulheres, a idade mÃnima foi reduzida para 62 anos), já é praticada em vários lugares, como Canadá, Dinamarca, Suécia, Austrália, Japão, Finlândia, Espanha e Nova Zelândia. Em muitos deles, a idade vai aumentar nos próximos anos, de forma gradativa. Na Alemanha e na Dinamarca, a idade mÃnima será de 67 anos em 2022; na Austrália, em 2023; na Espanha, em 2027; no Canadá, em 2029.
Em outros paÃses, a idade mÃnima já é maior do que 65 anos e o patamar também deve aumentar. Na Grécia, castigada por uma grande crise econômica, a idade mÃnima subiu para 67 anos, como uma das exigências da União Europeia para o pacote de ajuda fiscal. Nos Estados Unidos, subirá de 66 para 67 anos até 2022. Na Itália, onde homens se aposentam com 66 anos e 3 meses e mulheres com 63 anos e 9 meses, haverá uma unificação, para ambos, de 67 anos em 2021. Os dados são do levantamento Pensions at a Glance 2015, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Tempo de contribuição. Em relação ao tempo de contribuição para a aposentadoria, o projeto brasileiro propões uma elevação dos atuais 15 anos para 25 anos.
Nesse quesito, os paÃses desenvolvidos são menos rÃgidos. Em alguns, nem sequer há tempo mÃnimo de contribuição: o trabalhador recebe proporcionalmente em relação ao tempo que contribui. Em outros, há um tempo mÃnimo, mas bem menor que o brasileiro. Na Alemanha, é preciso trabalhar apenas cinco anos para ter acesso a alguma fatia da aposentadoria. Nos EUA e no Reino Unido, 10 anos. Na Itália, 15 anos.
Em relação ao tempo necessário para ter acesso ao benefÃcio integral, no Reino Unido, são necessários 35 anos. Na SuÃça, 44 anos para homens e 43 para mulheres. No Japão, campeão da longevidade, 40 anos, sendo que o tempo mÃnimo de contribuição é de 15 anos.
Mas nos paÃses onde é possÃvel se aposentar com menos tempo de contribuição, o benefÃcio também é menor, podendo até ser inferior ao salário mÃnimo - o que não é permitido no Brasil. Na avaliação da OCDE, o sistema brasileiro é significativamente mais generoso que os sistemas de Previdência de outros paÃses, principalmente em razão da indexação ao salário mÃnimo, que teve crescimento real de mais de 70% em uma década, e da alta proporção média do benefÃcio em relação ao salário.
Nos paÃses da organização, por exemplo, o valor médio que um trabalhador de renda média obtém com a aposentadoria representa 53% de seu salário, segundo a OCDE. Mas, no Reino Unido, por exemplo, um aposentado recebe em média apenas 21,6% do seu salário. Já no Brasil, a aposentadoria equivale, em média, a 70% dos rendimentos do trabalhador. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo