15/02/2021 18h20
IDERE Latam: apenas 7% de 182 regiões da AL possuem alto nível de desenvolvimento
A maior parte da América Latina tem baixos nÃveis de desenvolvimento. Além disso, mesmo as regiões mais favorecidas estão longe dos melhores padrões mundiais. É o que revela a da primeira versão do Ãndice de Desenvolvimento Regional para a América Latina (IDERE Latam), uma ferramenta que mede o desenvolvimento no nÃvel territorial de 8 paÃses latinos, incluindo o Brasil. O Ãndice foi lançado nesta quarta-feira, 14.
Segundo o Ãndice, 61% das regiões investigadas apresentam nÃveis médios ou inferiores de desenvolvimento. Apenas 7% - ou 13 regiões - pertencem ao grupo de alto desenvolvimento. Seis destas regiões estão no Chile, outra meia dúzia está no Uruguai e uma na Argentina.
O estudo indica ainda que no nÃvel médio-alto estão unidades da Argentina, Uruguai, Chile e Brasil. Já no nÃvel médio aparecem unidades do México, Colômbia e Brasil. No baixo nÃvel de desenvolvimento existem apenas 7 regiões, o equivalente a 4% do total, dominadas quase inteiramente pela Colômbia e El Salvador.
O Chile é o paÃs com o desenvolvimento regional mais equilibrado da América Latina, o que significa que a distância entre a região mais e menos desenvolvida desse território é a mais delimitada do subcontinente. Uruguai e Argentina vêm a seguir. Por outro lado, a Colômbia apresenta um grande déficit de desenvolvimento, seguida pelo Paraguai, Brasil e México.
No caso de El Salvador, todas as suas regiões estão abaixo da média latino-americana, um aspecto preocupante, visto que a média do paÃs apresenta produtividades próximas à s regiões com os menores IDEREs.
Foram consideradas na elaboração do Ãndice as ProvÃncias da Argentina, os Estados do Brasil e México, as regiões do Chile e os Departamentos da Colômbia, El Salvador, Paraguai e Uruguai. Ao todo, foram analisadas 182 unidades em nÃvel subnacional, que concentram 82% de toda a população latino-americana.
A pesquisa é um esforço coletivo de oito universidades e centros de estudos da América Latina, liderado pelo Instituto Chileno de Estudos Municipais (ICHEM) da Universidade Autônoma do Chile e o Instituto de Economia (IECON) da Universidade da República do Uruguai.
As instituições que também fazem parte desse projeto latino-americano são: Fundação Getulio Vargas (Brasil), Universidade de Los Andes (Colômbia), Universidade de Guadalajara (México), Universidade Tecnológica Nacional (Argentina), Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Paraguai) e Fundação Salvadorenha para Desenvolvimento Econômico e Social (El Salvador).
Segurança
O Ãndice IDERE LATAM mostra que, em termos de segurança, 54% das regiões analisadas na América Latina estão abaixo do nÃvel médio. Em contrapartida, 22% apresentam nÃveis muito altos ou altos.
Os resultados são entre zero e 1, onde zero expressa o desenvolvimento mÃnimo e 1 o máximo. Dessa forma, o IDERE LATAM considera 25 variáveis por meio de oito dimensões: Educação, Saúde, Bem-estar e Coesão, Atividade Econômica, Instituições, Segurança, Meio Ambiente e Gênero.
Sobre Meio Ambiente, o Ãndice revela que 81 unidades analisadas tiveram nÃveis médios a baixos, enquanto 31 possuem nÃveis muito altos de desenvolvimento.
"Embora estejamos em um continente diverso e rico em ecossistemas, há séculos a sustentação do subcontinente tem se baseado em cadeias extrativistas e produtivas sem critérios de sustentabilidade e pouco amigáveis ao meio ambiente", explica Adrián RodrÃguez Miranda, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Desenvolvimento Territorial da Universidade da República, do Uruguai, e um dos coordenadores gerais do estudo.
Uma terceira dimensão que apresenta diferenças marcantes na América Latina é o Bem-estar e Coesão: 73% dos territórios estudados encontram-se em nÃvel de desenvolvimento de médio a baixo nessa categoria; e apenas 13% das regiões atingem o nÃvel médio e alto, estando todos concentrados no Uruguai.
Quanto à dimensão Educação, 73% das regiões da América Latina apresentam desempenho médio-alto ou superior, e apenas 2 regiões estão na faixa inferior do estudo. Na dimensão Saúde, que considera a expectativa de vida ao nascer, a taxa de mortalidade infantil e a taxa de suicÃdio, a América Latina apresenta, em geral, um alto desempenho.
Já na dimensão Econômica, a IDERE Latam revela que 69% das regiões estão em nÃvel de médio a baixo, sobretudo, porque o PIB per capita está em um nÃvel baixo em todo o subcontinente, o que tem um impacto negativo no desempenho da dimensão em estudo. Segundo os coordenadores do levantamento, essa situação tende a se agravar, em função da pandemia.
Na dimensão institucional (análise de receita própria/receita total - participação nas eleições - corrupção), dados preocupantes podem ser observados. Nesse segmento, 64% das regiões registram um nÃvel médio-baixo ou baixo. O que é alarmante nesses dados é que o nÃvel de desenvolvimento regional baseia grande parte de seu crescimento na robustez das instituições.
Por fim, na dimensão de Gênero, apenas duas regiões atingem nÃveis elevados Buenos Aires e Bogotá, já o restante do subcontinente apresenta desempenho médio. Esses resultados mostram que gênero é a dimensão com menos desequilÃbrio da América Latina.
Brasil
São Paulo é a unidade com melhor desempenho do Brasil, ocupando a 16ª posição no ranking geral do IDERE Latam. Montevidéu, no Uruguai, lidera o ranking geral.
O professor da FGV EAESP, Eduardo Grin, que colaborou na construção do Ãndice com a análise dos resultados do PaÃs, destaca que analisar o desenvolvimento regional não é tarefa simples para uma nação muito heterogênea e desigual, onde os mesmos indicadores apresentam resultados muito diferentes.
"O Brasil é um paÃs continental. Como cada região e até mesmo cada Estado têm caracterÃsticas próprias, a questão do desenvolvimento regional se torna uma das mais complexas na agenda polÃtica do governo", disse Grin, acrescentando que o IDERE é uma ferramenta que visa a subsidiar a tomada de decisão governamental com foco nas polÃticas que enfrentem os desafios da desigualdade social e do desenvolvimento humano.
Fonte: Estadão Conteúdo