11/04/2018 12h00
Ilan: cenário internacional é benigno, mas não se deve esperar isso para sempre
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quarta-feira, 11, que o cenário internacional permanece benigno, mas não se deve esperar que isso permaneça para sempre. Segundo ele, recentemente houve maior volatilidade no mercado global, vindo de desafios ligados ao crescimento, à s negociações entre paÃses e também de expectativas quanto à normalização da polÃtica monetária dos Estados unidos e de outros paÃses.
"O cenário permanece benigno, mas não podemos esperar que este cenário fique assim para sempre", afirmou Ilan Goldfajn durante entrevista, por teleconferência, a jornalistas da imprensa internacional. "Temos que continuar na agenda de reformas e ajustes da economia", acrescentou.
Ele pontuou que, no último ano, a agenda de reformas e ajustes da economia foi "bastante intensa", mas que é preciso continuar neste caminho para manter a inflação baixa no futuro. De acordo com o presidente do BC, a expectativa é de que a inflação fique próxima de 3,8% em 2018 e de 4,0% em 2019 e 2020. "Nós indicamos que no nosso cenário é de um corte adicional da Selic (a taxa básica de juros) no próximo encontro do Copom, a menos que as condições se alterem", acrescentou Ilan, em referência ao encontro do comitê em maio.
Ilan citou ainda as reservas internacionais do Brasil, atualmente em US$ 383 bilhões, e a posição da instituição em swaps, próxima de US$ 24 bilhões, como fatores para que o PaÃs resista à volatilidade. "Temos o suficiente de reservas e de swaps para enfrentar qualquer cenário à frente", disse.
Crescimento
Ele também repetiu, no inÃcio da entrevista, a avaliação de que a economia brasileira tem se recuperado de forma gradual, mas consistente. "Não é sempre numa linha reta, temos altos e baixos", disse, acrescentando que o mercado espera alta do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,5% e 3,0% para este ano. "É uma recuperação consistente."
Perspectivas para o Copom
O presidente do Banco Central afirmou que não há mudanças na perspectiva da instituição para o próximo encontro do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom). O comentário foi feito após questionamento a respeito da baixa inflação, de apenas 0,09% em março, divulgada na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE).
"Nós sempre analisamos o que ocorreu nas reuniões, mas não há mudanças nas perspectivas", afirmou Ilan. "Nós indicamos para a próxima reunião um novo corte da Selic (a taxa básica de juros)." Posteriormente, conforme Goldfajn, serão avaliadas as informações disponÃveis. O presidente do BC salientou que o Copom sempre observa os riscos de ambos os lados - ou seja, de uma inflação baixa, de um lado, e de frustração com as reformas com reversão do cenário externo favorável, de outro.
Fonte: Estadão Conteúdo