15/01/2019 16h32
Ilan: País precisa continuar com ajustes e reformas, especialmente da Previdência
Prestes a deixar o cargo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta terça-feira, 15, durante apresentação em Genebra, na SuÃça, que o Brasil precisa continuar com os ajustes e reformas, especialmente a da Previdência, para assegurar a confiança dos agentes na sustentabilidade fiscal e conseguir maior crescimento. A apresentação foi publicada pela instituição nesta terça na internet.
Ilan reforçou em seu discurso que o Brasil fez progressos recentes na agenda de reformas, incluindo a trabalhista e a instituição de um teto para a alta dos gastos públicos, além da Agenda BC+, um conjunto de medidas para melhorar a eficiência do sistema financeiro.
Ao falar do caso brasileiro, Ilan destacou no discurso o foco no sistema de meta de inflação e afirmou que a polÃtica monetária não deve reagir para estabilizar a taxa de câmbio 'per se'. O Brasil, disse ele, tem "amortecedores" para resistir a choques, entre eles, o nÃvel robusto de reservas internacionais, um regime de câmbio flutuante e um robusto balanço de pagamentos, além de inflação baixa e expectativas ancoradas para os Ãndices de preços.
Na parte inicial da apresentação, ao falar de mercados emergentes como um todo, Ilan afirmou que estas economias precisam seguir avançando na agenda de reformas estruturais com o objetivo de melhorar os fundamentos e aumentar o nÃvel de resistência das economias. "Os amortecedores devem ajudar a suavizar o processo de ajuste", afirmou o presidente do BC.
"A polÃtica monetária é desafiadora nos mercados emergentes", disse ele, destacando que a polÃtica fiscal está frequentemente sob escrutÃnio dos agentes e os BCs precisam constantemente fortalecer a credibilidade. No geral, os emergentes têm experimentado maior instabilidade macroeconômica que os paÃses desenvolvidos, sendo vulneráveis a "paradas repentinas" e choques de maior magnitude. "A liquidez reduzida pode produzir contágio", afirmou ele.
Como reflexo, as moedas dos emergentes têm tido maior volatilidade, assim como a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB) destes mercados.
Sobre os efeitos recentes nos emergentes, Ilan mencionou o aumento da aversão ao risco no mercado financeiro mundial em meio a temores de desaceleração da economia do planeta e incertezas sobre disputas comerciais, além de dúvidas sobre o processo de normalização da polÃtica monetária nos paÃses desenvolvidos. Casa paÃs foi afetado de forma diferente, disse o presidente do BC, destacando que o impacto dependeu da situação das contas externas, da polÃtica fiscal e do nÃvel de autonomia do BC.
O presidente do BC fez palestra nesta terça-feira na "City Lecture", em evento organizado na SuÃça pelo Centro Internacional de Estudos Monetários e Bancários, em Genebra.
Fonte: Estadão Conteúdo