21/03/2021 08h47
Indústria automotiva aposta em maior vacinação para reativar negócios
A expectativa dos fabricantes de veÃculos e de autopeças é de que este ano seja melhor em vendas do que em 2020, mas, segundo o diretor do Sindipeças, Elias Mufarej, vai depender de variáveis como tempo de restrição de circulação nas cidades para tentar frear a covid-19, assim como do fechamento de concessionárias e de fábricas, que já está ocorrendo.
Na sexta-feira, a Volkswagen anunciou que suspenderá a produção em suas quatro fábricas no PaÃs por 12 dias a partir de quarta-feira para ajudar no combate à pandemia.
"O mercado de veÃculos depende de renda, emprego e confiança dos consumidores; sem isso, é difÃcil ter demanda", afirma ele. Foram esses fatores que levaram à retração do mercado no ano passado. A produção caiu quase 32% e teve o pior resultado dos últimos 16 anos, com 2 milhões de unidades.
Além da questão sanitária, a prorrogação da atual falta de peças para a produção - causada pela pandemia no ano passado - é outro fator de vulnerabilidade para o setor. General Motors e Honda já interromperam a produção neste ano em razão da escassez principalmente de semicondutores.
Para Mufarej, contudo, se a situação sanitária melhorar, com mais pessoas vacinadas, o ambiente econômico vai reagir e, consequentemente, o mercado automotivo.
Outro dado que ajuda a prever uma demanda maior - que pode ajudar na redução da idade média da frota de carros - é o número de habitantes por veÃculo no PaÃs, hoje de 4,6. Apesar de estar em queda há vários anos, essa relação ainda é a quarta maior entre 20 nações pesquisadas pela Organização Internacional dos Construtores de Automóveis (Oica).
A relação entre a população total do Brasil e a quantidade de carros da frota é a mesma de 2019, mas bem inferior a de uma década atrás, que era de 6,1. Acima do PaÃs, estão Indonésia (11,5), China (8,4) e Turquia (5,1). A menor relação continua sendo a dos EUA, com 1,2 habitante por carro em circulação
Caminhões
A frota de caminhões, que sempre foi mais velha que a de automóveis, atingiu em 2020 idade média de 11,7 anos, voltando aos nÃveis de 15 anos atrás. O segmento teve sequência de 16 anos de rejuvenescimento e chegou aos 9,7 anos em 2013. Após a crise de 2014, a idade média só aumentou.
O presidente da Bright Consulting, Paulo Cardamone, reforça que veÃculos antigos, sem boa manutenção, aumentam o número de acidentes e de mortes principalmente nas estradas. Com isso, gastos do governo nas áreas de saúde e infraestrutura são maiores.
Há pelo menos 17 anos o setor de transporte discute com o governo federal um programa de renovação da frota, que começaria pelos caminhões. A ideia era subsidiar a troca de veÃculos antigos por mais novos. Agora vai. Na semana passada, em eventos online em que participou para debater o futuro da indústria automobilÃstica, Margarete Gandini, responsável por temas relacionados ao setor na Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, disse que "acho que agora vai".
Ela informou que no fim do ano deve ser lançado um programa piloto para renovação dos caminhões com mais de 30 anos. Há 15,5 mil veÃculos nessa faixa. Margarete adiantou que não será um programa baseado em subsÃdios, mas em "princÃpios de mercado", o que foi entendido pelo setor como facilidades em obter crédito.
Para Mufarej, é necessário o inÃcio da aplicação de soluções que possibilitem ao menos a troca gradativa de um caminhão velho por outro menos velho "para ir eliminando riscos que uma frota antiga carrega".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo