09/12/2022 14h50
Indústria de fundos tem resgate líquido de R$ 19,6 bi em novembro, diz Anbima
Os fundos de investimento apresentaram saÃda lÃquida de R$ 19,6 bilhões em novembro, segundo dados da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Trata-se do terceiro mês consecutivo em que a indústria apresenta mais resgates do que aportes, com resultado puxado desta vez principalmente pelos fundos de renda fixa e multimercados. No ano, o saldo da indústria de fundos continua negativo, em R$ 25,7 bilhões.
Os fundos de renda fixa completaram três meses com retirada lÃquida de recursos, sendo que em novembro esse montante chegou a R$ 16 bilhões. Nesta classe, os dois tipos mais representativos em patrimônio lÃquido foram também os que mais influenciaram nessa diferença: o duração livre grau de investimento e o duração baixa grau de investimento fecharam o mês com saÃdas lÃquidas de R$ 8,9 bilhões e de R$ 6,8 bilhões, respectivamente.
Os dois tipos investem mais de 80% em tÃtulos públicos ou ativos de baixo risco, com a diferença de que o duração livre grau de investimento não tem compromisso com o vencimento dos papéis, enquanto o duração baixa grau de investimento aplica em tÃtulos de curto prazo.
"Um dos fatores que explica esse movimento é que esses dois tipos de fundos investem a maior parte das carteiras em tÃtulos públicos. Por isso, sua performance é sensÃvel à s sinalizações de polÃtica econômica, que podem implicar em volatilidade, caso ocorram ruÃdos", afirma Pedro Rudge, vice-presidente da Anbima e presidente do Fórum de Gestão de Fundos Mútuos na associação. "Mas vale ressaltar que, no ano, a classe de renda fixa acumula a maior captação lÃquida da indústria, de R$ 74,5 bilhões", acrescenta.
Multimercados e ações seguem no negativo
Em novembro, os fundos multimercados também registraram saldo negativo na ordem de R$ 4,2 bilhões. Os dois tipos com os maiores patrimônios lÃquidos - multimercados livre (sem compromisso de concentração em nenhuma estratégia) e investimento no exterior (aplicam mais de 40% em ativos internacionais) - tiveram resgates lÃquidos de R$ 5,1 bilhões e R$ 2,8 bilhões, respectivamente. No acumulado do ano, os fundos multimercados somam R$ 83,7 bilhões em saÃda lÃquida.
"A maior aversão ao risco e as incertezas da conjuntura econômica doméstica e externa contribuÃram para diminuir o interesse dos investidores pelos fundos multimercados. O resultado é este processo de realocação de recursos que vem ocorrendo nos últimos meses", avalia Rudge.
A movimentação de recursos para a classe das ações permaneceu desfavorável pelo quinto mês seguido, com captação lÃquida negativa de R$ 4,2 bilhões. O tipo ações livre, com o maior patrimônio entre as subcategorias (R$ 210,6 bilhões), segue sendo o principal responsável pela saÃda da classe, registrando saques lÃquidos de R$ 2,7 bilhões no perÃodo. No ano, os fundos de ações somam resgates lÃquidos de R$ 66,1 bilhões.
FIDCs, FIPs e Fiagro têm captação positiva
Já as classes Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e Fundos de Investimento em Participações (FIPs) tiveram captação lÃquida positiva em novembro: R$ 11,4 bilhões e R$ 1,5 bilhão, nesta ordem.
"Outro destaque entre os fundos estruturados são os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais), que, apesar de ainda serem uma novidade, têm conquistado bastante espaço no mercado", afirma Sergio Cutolo, vice-presidente da Anbima.
Desde seu lançamento, os Fiagros acumularam R$ 7,9 bilhões em patrimônio lÃquido, sendo R$ 6,4 bilhões de Fiagro-FII, segundo os dados de outubro de 2022 divulgados pela associação.
Rentabilidades
Considerando as rentabilidades dos tipos de fundos mais representativos em patrimônio lÃquido, o destaque foi o duração baixa grau de investimento, da classe de renda fixa, com valorização de 1,05% em novembro, alcançando 12,44% em 12 meses. Nos multimercados, a rentabilidade do tipo investimento no exterior caiu 1,26%, mas ainda assim permanece com desempenho positivo de 10,33% nos últimos 12 meses. Para a classe ações, o rendimento do tipo investimento no exterior foi de 4,64% negativo, acumulando queda de 12,32% em doze meses.
Fonte: Estadão Conteúdo