25/05/2017 16h57
Investidor avalia câmbio e quadro político e juros fecham perto da estabilidade
Os juros futuros encerraram o dia perto dos ajustes da sessão anterior, refletindo uma postura mais cautelosa do mercado diante do avanço do dólar, agora mais perto de R$ 3,30, e também uma pausa para avaliação sobre as várias possibilidades de desfecho da crise polÃtica. A agenda, que trouxe até agora somente a nota de crédito do Banco Central pela manhã, não chegou a influenciar os negócios, permitindo ao investidor manter o foco no quadro polÃtico e no câmbio. A exceção foram os contratos de curtÃssimo prazo, que fecharam em baixa, relacionada à s apostas de queda da Selic no encontro do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom) de maio.
Ao final da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para julho de 2017 fechou na mÃnima, com taxa de 10,400%, de 10,421% no ajuste de ontem, com 410.520 contratos. A taxa do DI janeiro de 2018 (160.760 contratos) terminou em 9,540%, de 9,555% no ajuste anterior, e a do DI janeiro de 2019 (200.965 contratos) fechou em 9,65%, de 9,67%. O DI janeiro de 2021 (170.550 contratos) encerrou a 10,68%, de 10,67%. O dólar à vista era negociado, por volta das 16h30, a R$ 3,2899 (+0,29%).
As taxas futuras mostravam um viés de queda pela manhã, enquanto o câmbio era marcado por uma certa volatilidade, mas depois que o dólar se firmou em alta, reagindo à deterioração dos preços do petróleo no começo da tarde, os juros encostaram nos ajustes de ontem e oscilaram pouco à tarde. "Estamos hoje bem perto da estabilidade. O dólar começou o dia mais leve e depois ficou mais pressionado, segurando um pouco o DI, uma vez também que já tivemos um movimento grande de alÃvio nos últimos dias", disse o diretor da Mafre Investimentos, Carlos Eduardo Eichhorn.
Embora ainda aposte num desfecho da crise que não prejudique tanto as reformas, o mercado vê o futuro de Temer ainda em aberto, trabalhando com a possibilidade de que ele não terminará o mandato, mas também considerando a chance de uma sobrevida, que pode não ser tão curta quanto se imaginava. "O mercado está meio sem cenário. O noticiário melhorou um pouco para o governo, com o legislativo andando e o 'vacilo' da oposição ontem pode ter fortalecido a base", disse um operador.
Ontem, seis medidas provisórias (MPs) foram aprovadas em pouco mais de duas horas de sessão na Câmara. O pacote passou facilmente em razão da ausência da oposição, que deixou o plenário como forma de protesto contra a publicação do decreto que prevê o emprego das Forças Armadas na Esplanada dos Ministérios entre 24 e 31 de maio, e que hoje foi revogado.
Por outro lado, nesta tarde, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, protocolou o 13º pedido de impeachment do presidente Michel Temer.
Fonte: Estadão Conteúdo