12/02/2018 08h30
Investidor vê moeda virtual com cautela e 'testa' novidade
Assim como o mercado de ações, o mundo das moedas digitais também exige educação financeira. "A percepção do mercado já melhorou muito, mas as criptomoedas são genuinamente diferentes, um ativo novo, que ainda estamos aprendendo a precificar", afirma Fernando Ulrich, especialista da XP Investimentos.
Os investidores precisam ter em mente que, na visão de especialistas, uma alta do bitcoin como a vista no ano passado não deve se repetir, apesar do potencial de apreciação ainda existir. "Quem entra nesse investimento está se sujeitando a um risco maior", diz Ulrich. Ele conta que, em busca de ganhos maiores, muitos investidores trocaram o bitcoin por outras moedas virtuais, como ethereum e XRP.
AtraÃdo pela alta valorização, Eduardo Strazza entrou no mundo das criptomoedas em novembro. A estratégia foi gastar pouco em bitcoin e utilizar os ganhos na compra de outra moeda virtual, a iota. "Mas sempre me preocupa qualquer investimento sem fundamento, sem regulamentação e em que as pessoas nem fazem ideia do mercado", pondera.
Outro perfil de investidor é o daquele que, por ora, tem apenas testado o mercado, sem intenção de ganhos relevantes. É o caso do designer Ewerton Mokarzel, que investiu US$ 60 para testar o mercado. Ele afirma que já investe na Bolsa há quatro anos e, apesar de ter entrado no mercado de criptomoedas antes da supervalorização do ano passado, não se preocupou com a queda do começo de 2018. "Como não tenho muito dinheiro investido, mantive o investimento e aproveitei a queda para comprar um pouco mais. Não pretendo sair no curto ou no médio prazos."
Conhecimento - Nas redes sociais, o número de comunidades sobre as moedas digitais vem crescendo. Em muitas delas, a mensagem é de otimismo sobre o desempenho futuro desses investimentos, incluindo conselhos para os investidores não serem contaminados pelos especialistas, que indicam a existência de uma bolha prestes a estourar. Somado a isso, há o compartilhamento de casos de sucesso e de cursos e palestras sobre o assunto.
Alguns desses cursos já são ministrados há três anos pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap). No entanto, a demanda cresceu rapidamente no ano passado.
Já passaram por lá mais de 1,2 mil alunos. "As turmas estão cheias. A procura cresceu muito, puxada pela possibilidade de ganho rápido", comenta Henrique Poyatos, professor da Fiap. Para este ano, com a perspectiva de mais crescimento, novos cursos serão planejados.
Segundo Poyatos, os cursos disponÃveis tentam enfatizar a importância de diversificação, para evitar que os investidores apliquem todos os seus recursos em moedas virtuais - um segmento que já mostrou estar sujeito a volatilidade.
A PUC-Rio foi a primeira universidade a colocar uma disciplina eletiva sobre criptomoedas no curso de graduação. Depois, a disciplina foi levada para a pós-graduação e, posteriormente, a cursos de extensão. Os cursos livres já atraÃram 350 alunos.
Além disso, a PUC-Rio lançou um curso digital aberto de introdução à s moedas digitais, que em três dias recebeu 1,2 mil inscrições de várias partes do PaÃs. Para março está programada uma nova rodada de conteúdo online, com expectativa de 5 mil participantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo