17/01/2018 07h20
Investigação adiou divulgação de balanço do 3º trimestre
A conclusão da investigação de suspeitas de corrupção envolvendo executivos e ex-administradores na Caixa Econômica Federal pesou na decisão da PricewaterhouseCoopers (PwC) de assinar o balanço do banco do terceiro trimestre de 2017, apurou o Estadão/Broadcast. Esse foi, inclusive, o motivo para o atraso da divulgação do resultado, que ficou disponÃvel em 29 de dezembro no site da instituição, após a consultoria dar seu aval, com ressalvas na carta dos auditores independentes, um dia antes.
A PwC teria se negado a assinar o balanço, de acordo com fontes, antes de obter a conclusão da investigação, cujas alegações finais foram entregues na segunda-feira pela Procuradoria da República do Distrito Federal à 10.ª Vara Federal em BrasÃlia. O documento, que contou com auxÃlio da consultoria de riscos Kroll, foi solicitado pelo Conselho de Administração do banco, em agosto, e produzido pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto.
Em relatório dos auditores independentes que acompanha as demonstrações financeiras da Caixa, a PwC justifica que não foi possÃvel determinar se havia necessidade de ajustes ou divulgações adicionais relacionados à s alegações de casos de corrupção até setembro, uma vez que a investigação sobre o tema estava em andamento.
A auditoria destacou ainda que, exceto pelos possÃveis efeitos de atos ilegais, não teve "conhecimento de nenhum fato que indique que as demonstrações contábeis do banco não foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil aplicáveis à s instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central". No terceiro trimestre, a Caixa teve lucro lÃquido de R$ 2,168 bilhões, alta de 122,1% em relação ao mesmo perÃodo do ano anterior, quando foi de R$ 976 milhões.
Apesar de estar "livre" em questões contábeis, a investigação, conforme documento produzido pelo Pinheiro Neto, detectou casos de influência polÃtica na Caixa em ao menos quatro vice-presidências. Procurada, a Caixa não quis se pronunciar. A PwC não comentou por questões de sigilo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo