14/05/2021 13h10
'Já iniciamos novo ciclo de investimento'
À frente Volkswagen na América Latina desde outubro de 2017, o executivo argentino Pablo Di Si vive hoje seu segundo ciclo de investimentos no Brasil após finalizar os R$ 7 bilhões do programa anterior, lançado justamente no ano em que assumiu o cargo.
O anúncio do valor e do prazo dos novos investimentos só deve ocorrer, no entanto, quando houver maior controle da pandemia de covid-19. A ideia é que a divulgação aconteça em cerimônia com a participação do presidente mundial do grupo, Herbert Diess. "Claro que o anúncio é importante, mas o mais importante é fazer, e já estamos implementando em nossas fábricas o nosso novo ciclo de investimento", disse Di Si ao programa Olhar de LÃder, do Estadão/Broadcast.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
Quais são os planos de investimento da VW para o Brasil?
O plano de investimentos de R$ 7 bilhões foi finalizado. Estamos agora num novo ciclo. Ainda não anunciamos porque a ideia era convidar o presidente mundial (da montadora) para o anúncio. Mas, pela pandemia, estamos segurando um pouco. O importante é que isso já está acontecendo.
O investimento é maior do que o ciclo anterior de R$ 7 bilhões?
Não posso falar em valores, mas o ciclo acontece em muitos segmentos. Nos próximos dois anos, o Brasil vai passar por muitas mudanças de legislação, envolvendo uma série de normas prevendo mais segurança e menos emissões. Alguns modelos que hoje existem no Brasil vão deixar de existir em seis meses, um ano ou dois e vai haver uma nova safra de produtos da Volkswagen e de outras montadoras. Esse investimento que estamos fazendo vai complementar nossa linha de produtos atual, melhorar o nÃvel de segurança, de emissões de CO2.
Será um investimento com foco maior em desenvolvimento de produto do que em expansão?
Com certeza. Temos quatro fábricas no Brasil, estamos bem de capacidade.
Como está o plano de trazer carros elétricos ao Brasil?
Temos um plano de seis veÃculos nos próximos cinco anos, entre elétricos e hÃbridos. O Brasil não é um paÃs, é um continente, e esses hÃbridos são uma boa transição até a eletrificação completa do Brasil. Quem vai determinar a velocidade (de introdução) desses veÃculos será o consumidor. Hoje, o Brasil tem menos de 1% do mercado em veÃculos elétricos e hÃbridos. Se até 2030 vai ser 10%, 5% ou 30%, quem vai definir é o consumidor. Também vai depender de polÃticas públicas, do custo das baterias. Em relação ao produto, a Volkswagen terá mais de 140 veÃculos elétricos e hÃbridos nos próximos cinco anos. Temos muito conteúdo. Precisamos ver como o mercado vai evoluir no Brasil.
A Anfavea (entidade que representa as montadoras) disse que as matrizes estão assustadas com a polÃtica e a economia do PaÃs. Isso afasta investimentos?
Nossa matriz não está assustada. Entende que a América Latina tem volatilidade. Não é um mercado que cresce 1% e cai 1%. É um mercado que sobe 30% e cai 40%; sobe 50%, cai 20%. Essa instabilidade gera tensão à s vezes. Mas o importante é o olhar de médio e longo prazos. Ninguém faria os investimentos que fizemos e estamos fazendo se não acreditasse na região no médio e longo prazos. O que temos de ter cuidado é com a competitividade do PaÃs. São coisas faladas há mais de 30 anos: reforma tributária, reforma administrativa. Todo o custo de ineficiência que nós temos torna difÃcil exportar um veÃculo, por exemplo. Fica mais caro produzir um veÃculo aqui do que em outro paÃs. Sempre temos uma mochila de 50 kg nas costas.
Como a Volkswagen tem conseguido atravessar a crise de abastecimento de peças?
Falta de semicondutores é no mundo, não no Brasil. Então, o time da Alemanha está nos ajudando muito. Temos muitos problemas, mas o time gerenciou para não parar um dia por falta de peças. Temos reuniões diárias para entender o que está faltando, onde estão as peças, em qual paÃs, em qual avião. Trabalhamos num nÃvel de detalhe alto.
Há previsão de paradas por falta de peças na Volkswagen?
Não temos previsão, mas também não me chamaria a atenção se tivermos de parar por dois ou três dias.
A volta do mercado de veÃculos a nÃveis de pré-pandemia deve ser rápida ou lenta?
Acho que vai ser muito rápida. Quando você tem um problema de abastecimento é porque a demanda está maior do que a oferta. Esses problemas existem porque há uma demanda muito aquecida no mundo, incluindo o Brasil. Então, com a vacina disponÃvel, a demanda vai acelerar no segundo semestre. Neste mês, vai chegar uma quantidade enorme de vacinas. Como o sistema do SUS é muito bom, a vacina vai chegar num perÃodo curto aos braços das pessoas. Até junho, a vacinação no Brasil deve acelerar muito.
Como fica o futuro do Brasil diante do plano mundial da Volkswagen de se tornar uma montadora neutra em carbono?
Antes de entrar no tema dos carros elétricos e hÃbridos, existe a importância da matriz energética de cada paÃs, porque é o que vai alimentar um carro elétrico ou hÃbrido. O Brasil tem 85% da matriz em fontes renováveis. O mundo só tem 36%. Tem paÃses com alta dependência do carvão. Como Volkswagen, vamos olhar a cadeia como um todo, não apenas o veÃculo. As estratégias podem variar para atingir o mesmo objetivo. Nós, aqui, temos o etanol e o biocombustÃvel. O caminho à neutralidade de carbono não tem retorno, e o Brasil e a região não estão fora.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo