08/08/2022 11h51
Julho tem recorde de 78% das famílias endividadas e 29% inadimplentes, diz CNC
O PaÃs iniciou o segundo semestre com novo recorde de brasileiros endividados e inadimplentes, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em julho, 29% das famÃlias tinham algum tipo de conta ou dÃvida atrasada, o maior patamar de inadimplência desde 2010, quando teve inÃcio a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Segundo a CNC, o aumento da inadimplência indica que as medidas de governo de estÃmulo ao consumo, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, tiveram efeito apenas momentâneo no pagamento de contas ou dÃvidas em atraso, concentrado no segundo trimestre deste ano.
O total de inadimplentes aumentou 0,5 ponto porcentual na passagem de junho para julho. Em relação a julho de 2021, houve uma elevação de 3,4 pontos porcentuais na proporção de lares em situação de inadimplência.
O porcentual de famÃlias endividadas subiu a um ápice de 78% em julho, um aumento de 0,7 ponto porcentual ante junho. Em relação a julho do ano passado, a proporção de lares endividados teve um crescimento de 6,6 pontos porcentuais. A pesquisa considera como dÃvidas as contas a vencer em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e prestação de casa.
"O porcentual de comprometimento da renda permanece no mesmo valor, em 30,4%, desde abril, mas 22% dos brasileiros estão com mais da metade dos rendimentos comprometidos com dÃvidas", apontou a CNC, em nota.
Em julho, 10,7% das famÃlias afirmaram não ter condições de pagar seus débitos já atrasados, ou seja, permanecerão inadimplentes, alta de 0,1 ponto porcentual em relação a junho. De acordo com a CNC, a maioria dos que permanecerão sem pagar contas ou dÃvidas já atrasadas de meses anteriores está entre os consumidores que não concluÃram o ensino médio (13%), que também foram os que mais precisaram atrasar pagamentos no próprio mês de julho (33,3%).
"As classes de despesas das famÃlias que ganham menos são justamente as que tiveram maiores aumentos recentes de preços, então elas acabam gastando uma parcela maior do orçamento para fazer frente ao aumento da inflação. Ou seja, as famÃlias com menor renda foram mais afetadas e aumentaram o endividamento, a despeito dos juros altos, para sustentar seu nÃvel de consumo", explicou a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa da CNC, em nota oficial.
A proporção de endividados entre famÃlias que recebem mais de dez salários mÃnimos por mês subiu a 75,0% em julho, enquanto que o total de lares com dÃvidas entre os que recebem até dez salários mÃnimos avançou a 78,8%.
Entre as modalidades de dÃvidas, houve redução pelo terceiro mês consecutivo nas contas a pagar em cartão de crédito. Do total de endividados, 85,4% tinham dÃvidas no cartão de crédito em julho ante uma fatia de 88,8% em abril deste ano.
"As famÃlias têm buscado alternativas de crédito mais baratas por conta dos juros elevados. Com isso, carnês de loja e crédito pessoal foram as modalidades que avançaram no endividamento, neste inÃcio de semestre, representando 18,8% e 9,2% do total de famÃlias com dÃvidas, respectivamente", acrescentou Izis Ferreira.
A pesquisa mostrou ainda uma queda nos financiamentos de automóveis e da casa própria. Em julho de 2021, 12,6% das famÃlias pagavam prestações de carro e 9,7%, de casas. Em julho deste ano, apenas 10,6% das famÃlias pagam financiamento de carro, enquanto a fatia comprometida com prestações da casa própria desceu a 7,6%.
"O motivo para menor uso de crédito de longo prazo também é o crescimento dos juros, que aumentaram em média 5,8 pontos porcentuais em um ano, para carros, e 2,8 p.p., no caso da aquisição de imóveis pelas pessoas fÃsicas", justificou a CNC.
Fonte: Estadão Conteúdo