05/01/2022 20h00
Juros avançam com ata do Fed, Treasuries e piora do risco fiscal
Os juros futuros terminaram o dia em alta, pressionados pela ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), as preocupações com o cenário polÃtico e fiscal, a nova rodada de avanço nos retornos dos Treasuries e o aumento dos preços do petróleo. No fechamento da sessão estendida, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 estava em 12,11%, de 12,052% no ajuste de terça-feira. A do DI para janeiro de 2025 fechou em 11,43%, de 11,178%, e a do DI para janeiro de 2027, em 11,32%, de 11,117%. Na sessão regular, as taxas haviam encerrado, respectivamente, em 12,045%, 11,30% e 11,21%.
"A renda fixa é o ponto de encontro das dinâmicas negativas recentes: elevação dos juros reais nos EUA, imbróglios fiscais renovados por aqui e retomada das altas nos preços das commodities desenhando uma inflação de curto prazo novamente pressionada", afirmam os economistas do Banco Original.
A tendência de alta nas taxas prevaleceu durante o dia, mas em ritmo bem mais moderado do que na terça, com disposição limitada para grandes posições antes da divulgação da ata do Fed, à s 16 horas. No começo da tarde, chegaram a ensaiar um alÃvio na esteira da virada do dólar para baixo, mas que esbarrava nas máximas dos retornos dos Treasuries, no petróleo e na preocupação com o cenário fiscal. Após a ata, as taxas ampliaram a trajetória ascendente.
Trazem desconforto tanto o aval do governo à desoneração da folha de pagamentos a 17 setores sem a compensação da renúncia, que pode gerar questionamentos jurÃdicos, quanto a mobilização de servidores em protesto por reajustes salariais. Após funcionários da Receita Federal e do Banco Central entregarem cargos comissionados, mais de 150 auditores-fiscais do Trabalho já deixaram seus postos de chefia ou coordenação.
Para o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno, dada a atenção que o Banco Central tem dedicado ao aspecto fiscal, a ponta curta não tem muito espaço para alÃvio enquanto perdurarem os ruÃdos gerados em BrasÃlia, ainda mais sem perspectiva de andamento das reformas em ano eleitoral. "Por isso a curva precifica Selic a 12,75%. É bastante, mas condizente com o cenário que se desenha", afirmou.
Nesse contexto interno complicado, o ideal para o Brasil, afirma Nepomuceno, seria o Federal Reserve adiar ao máximo o inÃcio do ciclo de altas de juros nos Estados Unidos. "Mas não vai dar tempo de esperar até a eleição, mesmo com o agravamento dos casos de Covid. O fluxo para emergentes vai piorar", comentou o operador.
Pela manhã, dados do mercado de trabalho mais fortes que o esperado já alimentavam apostas na antecipação da elevação dos juros nos Estados Unidos, pressionando a curva dos Treasuries, e a percepção foi endossada à tarde pela ata do Fed, com a taxa da T-Note de dez anos batendo em 1,70% nas máximas. No documento, dirigentes foram claros sobre o risco de iniciar em breve o ciclo. "Pode ser preciso elevar juros mais cedo e a ritmo mais rápido", afirmaram. E foram além, ao indicar que alguns deles consideraram apropriado reduzir o balanço patrimonial logo após o processo de aperto.
"Aumentou a probabilidade de alta já na reunião de março, além do cenário de quatro elevações este ano", citam os profissionais do BTG Pactual, após leitura da ata.
Fonte: Estadão Conteúdo