04/05/2017 17h00
Juros fecham em alta com mau humor externo e preocupação sobre Previdência
Os juros futuros mantiveram-se em trajetória de alta até o final da sessão regular, pressionados pelo mau humor no cenário externo e por preocupações com o andamento da reforma da Previdência no Congresso, apesar da aprovação, ontem, do texto principal na comissão especial da Câmara. O leilão de papéis prefixados do Tesouro foi outro componente a estimular a recomposição de prêmios. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 (257.635 contratos) fechou em 9,440%, de 9,410% no ajuste de ontem. A taxa do DI janeiro de 2019 (201.375 contratos) subiu de 9,31% para 9,35%. E o DI janeiro de 2021 (200.490 contratos) terminou com taxa de 10,01%, de 9,96%.
"Não houve muita diferença em relação ao que vimos pela manhã, com ingredientes externos, mas também domésticos influenciando", afirmou na tarde desta quinta-feira, 4, o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano, destacando que lá fora é forte o movimento do dólar contra as demais moedas, os juros dos Treasuries estão em alta e as commodities, em queda, num quadro ruim para ativos de paÃses emergentes.
O swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) do Brasil, que ontem fechou no menor nÃvel em mais de dois anos (209,47 pontos), à s 16h15, estava em 216,23 pontos, com alta de 2,8%. O dólar à vista subia 0,84%, aos R$ 3,1850. O barril de petróleo WTI negociado na Nymex, com vencimento em junho, fechou com queda de 4,80%, a US$ 45,52 - menor patamar desde 29 de novembro.
O cenário externo adverso hoje se somou ao desconforto com a situação da reforma da Previdência, que já vinha impulsionando as taxas desde ontem. O mercado vê com preocupação o fato de o governo ter atrelado a votação da reforma no plenário da Câmara à votação, no Senado, da reforma trabalhista. Esse receio ganhou força depois da aprovação, ontem, pelo plenário do Senado, de requerimento que estende as discussões da reforma Trabalhista para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Com isso, o debate em torno da proposta na Casa deve ser prorrogado por até 30 dias porque a proposta terá que passar por um total de três Comissões: Assuntos Econômicos; Constituição e Justiça e Assuntos Sociais.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta tarde que o projeto de reforma da Previdência não pode ser "fundamentalmente alterado" daqui para frente. Até agora, apesar das concessões, o texto mantém "parte relevante" das medidas propostas originalmente pelo governo, ressaltou ele após fazer palestra em evento do Banco Mundial em São Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo