13/06/2022 18h00
Juros: Taxas disparam com pressão vinda dos Treasuries e do câmbio
O mercado de juros acompanhou o estresse dos ativos globais com taxas em forte alta, alinhadas à curva dos Treasuries, na qual os rendimentos dispararam, e à pressão sobre o câmbio. O Ãndice de preços ao consumidor americano na sexta-feira, acima do consenso, ainda fez estragos, somando-se a outros sinais de inflação global e elevando o risco de uma atuação mais firme dos bancos centrais, sobretudo o Federal Reserve que, junto com o Copom, tem reunião na quarta-feira.
Para o BC brasileiro, prevalecem as apostas amplamente majoritárias de uma elevação da Selic em 0,5 ponto porcentual, mas o quadro internacional e as incertezas domésticas podem recomendar uma extensão do ciclo de aperto para os próximos meses ou ao menos adiar o inÃcio do processo de distensão monetária.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 13,545%, de 13,375% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2024 encerrou na máxima de 13,29%, de 12,991% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 12,745% (12,495% no ajuste de sexta-feira) e a do DI para janeiro de 2027 fechou na máxima de 12,74% (de 12,49%).
O temor nos mercados se estabeleceu logo cedo e foi ganhando corpo ao longo do dia, na medida em que cresciam as apostas de uma ação mais agressiva do Federal Reserve, de um aumento de 75 pontos-base nos fed funds esta semana. Contudo, elas ainda não são majoritárias (28% contra 72% de chance de 50 pontos). No fim da tarde, a taxa da T-Note de dez anos renovava sucessivas máximas rumo a 3,50% e no maior nÃvel desde abril de 2011, puxando máximas também na curva longa local.
No fim da sessão regular, porém, as taxas que mais subiam eram as de curto prazo, à s vésperas do Copom. "Esse câmbio está colocando pressão na polÃtica monetária. Medo de o Banco Central estender o ciclo", comentou o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano.
Enquanto a precificação de Selic na curva para o Copom de quarta-feira subiu ligeiramente, de 53 na sexta para 55 pontos-base hoje, para agosto avançou de 25 para 35 pontos, ou seja, quadro quase dividido entre apostas de 0,25 ponto porcentual (60%) e 0,50 ponto (40%). A precificação para setembro saltou de 9 para 25 pontos.
Variável que atinge uma série de preços, o dólar acima de R$ 5,10 neste momento pressiona ainda mais a defasagem dos preços do petróleo domésticos ante as cotações internacionais, juntamente com o barril a US$ 120 e que algumas casas já veem escalando os US$ 130.
Além do risco de um alongamento do ciclo, cresce a percepção de que a taxa básica deve permanecer em nÃveis elevados por um perÃodo maior do que o esperado antes de começar a cair. O Banco Fibra informou hoje que agora espera Selic estável durante 2022 e 2023, "dada a (esperada) lenta convergência da inflação (e das expectativas) para o centro da meta no horizonte relevante". A instituição prevê um último aperto de 0,50 ponto na Selic nesta semana. "Neste momento, acreditamos que apenas o cenário de recessão global e, consequente, desinflação generalizada de preços, poderia antecipar o ciclo de corte da taxa de juros, que esperamos, dar-se-á apenas em 2024", afirmam os economistas Cristiano Oliveira e Ãgila Cunha.
Fonte: Estadão Conteúdo