16/11/2022 19h50
Juros: Taxas voltam a disparar com piora do risco fiscal antes da PEC
Os juros futuros fecharam a quarta-feira, 16, em alta firme, na contramão do recuo do rendimento dos Treasuries. Durou pouco o alÃvio visto na segunda-feira, com o mercado hoje retomando a postura defensiva pelos sinais negativos para a polÃtica fiscal do próximo governo. Os agentes não só tiveram de se ajustar novamente ao volume de R$ 175 bilhões para os gastos extra teto esperado para a PEC da Transição, após terem trabalhado com um volume mais baixo na sessão anterior, como se frustraram com a informação de que o texto não trará detalhamento dos valores, o que compromete a previsibilidade com relação à dÃvida pública nos próximos anos.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 voltou a rodar acima de 14%, nÃvel não visto desde julho, fechando em 14,08% (regular) e 14,11% (estendida). A do DI para janeiro de 2025 ficou em 13,37% (regular) e 13,44% (estendida), de 13,01% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2027 subiu de 12,79% para 13,08% (regular) e 13,55% (estendida).
A volta do feriado da Proclamação da República foi traumática para os mercados locais. Na segunda-feira, houve distensão dos prêmios com a informação, trazida pela Bloomberg, de que a equipe de transição estaria trabalhando com valor mais conservador, de R$ 130 bilhões, para a PEC, mas na mesma segunda-feira, à noite, o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) mencionou o valor de R$ 175 bilhões para gastos em 2023 fora do teto. A PEC será entregue hoje (16) ao Senado, às 19h. Segundo o senador Paulo Rocha (PT-SP), que faz parte do governo de transição, a PEC, porém, não trará nem o valor total nem detalhado. "O detalhamento virá na LOA (Lei Orçamentária Anual). A previsão de valor atrelado à PEC é de R$ 175 bilhões, mas isso não vai aparecer agora", disse.
Isso naturalmente já traria uma realização de lucros, mas os investidores tiveram, ainda, de ajustar sua percepção quanto ao tempo em que os gastos seriam excepcionalizados. O anteprojeto da PEC prevê tal tratamento de forma permanente.
Em meio a tantos ruÃdos, a previsibilidade com relação à s contas públicas para os próximos anos vai ficando comprometida, assim como a credibilidade do governo, logo na largada, na medida em que os agentes cobram explicações sobre como a polÃtica social será financiada.
"O mercado começa a precificar como vai ficar a trajetória da dÃvida pública nesses próximos quatro anos", disse a economista-chefe da Veedha Investimentos.
"O problema não é R$ 600 do AuxÃlio Brasil/Bolsa FamÃlia que todos entendem como necessário. Mas isso seria R$ 50 bilhões a mais fora do teto e não R$ 175 bilhões", avalia o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro. Segundo ele, com a retirada de todo o programa do teto pelos próximos 4 anos a dÃvida pública, em 2023, crescerá entre 3 a 4 vezes o que cresceu nos últimos 4 anos.
Abdelmalack lembra ainda que a polÃtica fiscal expansionista gera uma pressão inflacionária via câmbio e que deve exigir um perÃodo prolongado de manutenção da Selic, hoje em 13,75%, em nÃveis elevados. "O mercado vai deixando de precificar cortes e pode passar até a trabalhar com retomada das altas", comentou.
Fonte: Estadão Conteúdo