07/04/2021 13h10
Maioria vai receber R$ 150 de auxílio
A maior parte do público do auxÃlio emergencial vai receber o menor valor do benefÃcio, que é de R$ 150 mensais, informou o Ministério da Cidadania ao jornal O Estado de S. Paulo. Serão 19,994 milhões de famÃlias contempladas na categoria "unipessoal", isto é, formadas por apenas uma pessoa. O número representa 43,6% do público total estimado para a nova rodada.
Outras 16,373 milhões de famÃlias com mais de um integrante vão receber R$ 250, enquanto 9,47 milhões de mulheres que são as únicas provedoras do lar receberão R$ 375. A nova rodada do auxÃlio emergencial terá quatro parcelas, e o pagamento começou na terça-feira, 6.
Os dados já haviam sido antecipados pela reportagem, mas nunca foram revelados oficialmente pelo governo, que preferiu centrar seu discurso no "valor médio" de R$ 250. A estratégia foi adotada depois da insatisfação de aliados e dos próprios beneficiários com a redução do valor da ajuda, que começou em abril de 2020 em R$ 600 e caiu a R$ 300 entre setembro e dezembro do ano passado.
Os valores atuais são considerados insuficientes para atender a demandas básicas de alimentação, higiene pessoal e limpeza de uma famÃlia. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, o custo da cesta básica na capital paulista para uma famÃlia de quatro pessoas ficou em R$ 1.014,63 em fevereiro, segundo levantamento da Fundação Procon feito em parceria com o Dieese. O "valor médio" do auxÃlio cobre menos de 25% do custo. Só o preço do gás de cozinha, por exemplo, já está próximo de R$ 100.
Para ter acesso aos dados oficiais e detalhados, o jornal O Estado de S. Paulo fez a solicitação com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) em 19 de março, um dia após a edição da medida provisória que recriou o programa sob novas regras. No mesmo dia, a reportagem fez pedido igual por meio de assessoria de imprensa do Ministério da Cidadania, mas foi informada de que a pasta ainda estava "consolidando os números sobre a quantidade de pessoas beneficiadas por faixa de valor". A nota técnica com todos os detalhes, porém, foi assinada pelas áreas responsáveis em 15 de março.
No documento, o governo detalha o processo de exclusão de beneficiários que permitiu "afunilar" o programa, chegando ao número de 45,8 milhões de brasileiros que receberão a ajuda. Essa foi uma diretriz adotada pela equipe para limitar o custo do auxÃlio, que no ano passado ficou em R$ 322 bilhões. Para este ano, estão reservados R$ 44 bilhões.
Mudanças
O critério que mais excluiu beneficiários foi a regra que prevê apenas uma cota do auxÃlio por famÃlia. Até o ano passado, era possÃvel que duas pessoas recebessem a ajuda. Sob o novo critério, foram removidos 6,567 milhões de beneficiários.
A redução dos valores do auxÃlio também fez com que 2,875 milhões de beneficiários do Bolsa FamÃlia permanecessem no programa, que tem valor mais vantajoso para eles, em vez de serem transferidos ao auxÃlio emergencial. Segundo estimativa do governo, só essa mudança gerou economia de R$ 1,5 bilhão.
Há ainda exclusões de quem não movimentou os valores da primeira rodada do auxÃlio até outubro de 2020 (751,5 mil) e pela redefinição do limite de renda (188,3 mil). Antes, poderia receber o auxÃlio quem tivesse renda de até meio salário mÃnimo por pessoa, ou três salários mÃnimos por famÃlia. Agora, os dois critérios têm de ser preenchidos ao mesmo tempo - o que elimina, por exemplo, uma famÃlia de apenas duas pessoas com renda de dois salários mÃnimos.
Para justificar os valores da nova rodada do benefÃcio, o governo calculou o "hiato" entre a renda habitual dos trabalhadores e o que foi efetivamente recebido. Esse hiato seria a perda de renda durante a pandemia e uma medida do impacto do distanciamento social.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo