12/03/2021 02h29
Mais da metade dos lançamentos de carros no Brasil serão de SUVs
Dos 22 lançamentos já contabilizados para este ano por fabricantes e importadores, pelos menos 15 serão utilitários-esportivos, mais conhecidos como SUVs. No ano passado, o segmento representou 32,6% das vendas de automóveis no PaÃs, com um total de 528,2 mil unidades. Em 2010, essa fatia era de 7,5%, segundo dados da Fenabrave, entidade que representa os concessionários de veÃculos.
Tendência em vários paÃses, esse tipo de veÃculo atraiu também os brasileiros e as empresas estão ampliando ofertas de modelos nacionais e importados em detrimento de outras categorias, em especial a de carros pequenos (hatches). Eles ainda são os mais vendidos no PaÃs, mas a fatia nas vendas caiu de 55,7% para 42,3% em dez anos.
Os sedãs também estão perdendo espaço e, no ano passado, ficaram com 22,6% do mercado, ante 27,3% em 2010. Para o presidente da Bright Consulting, Paulo Cardamone, "o crescimento dos SUVs ocorre, em parte, em razão do novo consumidor, que valoriza estilo, segurança, multiúso, conectividade e performance, em especial os de mais alta renda."
Outro lado bastante significativo do aumento de vendas tem a ver com a estratégia das montadoras em focar em modelos mais caros, com mais conteúdo e que tragam maior rentabilidade aos negócios.
O presidente da Volkswagen do Brasil e América Latina, Pablo Di Si, tem mais uma explicação para o fenômeno. "Muitas pessoas que não estão conseguindo viajar por causa da pandemia estão comprando carro, principalmente SUVs", diz ele, que conta ter notado procura ainda maior por esses carros nos últimos seis meses.
A Volkswagen é uma das marcas que nos últimos anos vem aumentando a oferta de SUVs em sua gama. No plano de investimento de R$ 7 bilhões anunciado em 2017, o grupo incluiu o lançamento de cinco utilitários-esportivos na América Latina, dos quais quatro no Brasil.
Estão na conta o T-Cross e o Nivus, ambos fabricados no PaÃs, o Tiguan feito no México e o Taos que acaba de entrar em linha de produção na Argentina e chegará à s lojas brasileiras no fim do segundo trimestre.
Com esses modelos à frente, a Volkswagen espera fechar o ano no break even (ponto de equilÃbrio) este ano, após sucessivos prejuÃzos na região.
Mesmo com essa "ofensiva de SUVs", como define a Volkswagen, "o próximo plano de investimentos da marca na região (a ser anunciado no segundo semestre), inclui modelos compactos, picapes e mais SUVs", informa Di Si.
Ele ressalta que o Taos foi um desenvolvimento conjunto das engenharias da América Latina e América do Norte - que receberá o modelo feito no México. A versão argentina será exportada para toda a região. O sistema de infortainment que equipa o Taos e o Nivus foi desenvolvido no Brasil e a tecnologia está sendo exportada para vários paÃses, entre os quais Rússia e Ãndia.
O Taos vai disputar mercado principalmente com o Corolla Cross, que será apresentado ao mercado hoje pela Toyota e as vendas começam nos próximos dias. Também com o Jeep Compass, que será reestilizado nessa primeira metade do ano.
Novidades do ano
Outros utilitários totalmente novos que chegam ao mercado este ano, em diferentes categorias, são um Jeep de sete lugares e o primeiro SUV da Fiat (ambos sem nomes revelados); o Ford Bronco Sport, que virá do México e deve ser o primeiro lançamento da marca após o anúncio do fim da produção local; o Caoa-Chery Exeed, marca de luxo da chinesa que chegará primeiro como importado e depois será produzido localmente; e o Kia Niro (hÃbrido).
Os modelos que devem passar por reestilização são Caoa-Chery Tiggo 2 e Tiggo 5, Hyundai Creta, Renault Captur e Duster. O primeiro lançamento do ano foi o Nissan Kicks, em fevereiro, e nesta semana a Land Rover iniciou as vendas do Discovery Sport em versão diesel.
Segundo Di Si, as fábricas do grupo enfrentam problemas de escassez de peças, em especial de semicondutores - o Taos tem cerca de 300 chips -, mas não foi preciso suspender a produção até o momento. A matriz centraliza todas as compras e repassa para as fábricas do grupo no mundo todo. "Por negociarmos em bloco temos maior poder de compra".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo