28/04/2021 14h40
Marco Aurélio determina que governo adote medidas para realização do Censo
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, determinou nesta quarta-feira, 28, que o governo adote as medidas voltadas à realização do Censo, observados os parâmetros preconizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE). Durante a tramitação do Orçamento de 2021, o relator, senador Marcio Bittar (MDB-AC), retirou uma previsão de cerca de R$ 2 bilhões para a realização do Censo este ano e redistribuiu a emendas parlamentares.
No momento da sanção, o presidente da República, Jair Bolsonaro, vetou outros R$ 17 milhões que poderiam ser usados na preparação da pesquisa para 2022. Esse corte deve levar a um adiamento ainda maior do Censo, para 2023, segundo previsão do sindicato. A previsão original era realizá-lo em 2020.
"O direito à informação é basilar para o Poder Público formular e implementar polÃticas públicas. Por meio de dados e estudos, governantes podem analisar a realidade do PaÃs. A extensão do território e o pluralismo, consideradas as diversidades regionais, impõem medidas especÃficas", observou o ministro.
A decisão de Marco Aurélio Mello foi tomada na análise de uma ação movida pelo governo do Maranhão. "A União e o IBGE, ao deixarem de realizar o estudo no corrente ano, em razão de corte de verbas, descumpriram o dever especÃfico de organizar e manter os serviços oficiais de estatÃstica e geografia de alcance nacional - artigo 21, inciso XV, da Constituição de 1988. Ameaçam, alfim, a própria força normativa da Lei Maior", observou o ministro.
Os dados da população brasileira são atualizados a cada dez anos. Hoje, o que se sabe da população é com base em estimativa do Censo de 2010. Quanto mais se afasta da base do Censo, mais impreciso fica o dado para a definição de polÃticas públicas, inclusive distribuição de recursos para Estados e municÃpios.
Os pesquisados do Censo visitam a casa de todos os brasileiros para traçar uma radiografia da situação de vida da população nos municÃpios e seus recortes internos, como distritos, bairros e outras realidades. Esse nÃvel de minúcia não é alcançado em outras pesquisas do IBGE feitas por amostragem, que entrevistam apenas parcela da população.
A formulação do Bolsa FamÃlia, por exemplo, é baseada em informações sobre as famÃlias que estão em situação de pobreza, levantadas a partir de pesquisas como a Pnad, que traz dados sobre emprego e renda no PaÃs. A definição da amostra populacional que será ouvida na Pnad para fazer o retrato mais fiel possÃvel do PaÃs é guiada pelos dados disponÃveis sobre o total da população - ou seja, pelo Censo.
No caso de divisão de recursos federais, há casos de municÃpios que recorreram à Justiça para tentar ampliar os valores recebidos da União para polÃticas na área de saúde, por exemplo. A justificativa é que os dados do IBGE, que só tem conseguido fazer projeções da população, já não demonstram o real crescimento do número de pessoas vivendo em determinadas cidades. A pesquisa também é importante para que empresas possam tomar suas decisões de investimento.
Fonte: Estadão Conteúdo