21/05/2020 16h10
Ministro do TCU destrava assinatura de renovação da Malha Paulista
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes negou na quarta-feira um pedido da área técnica da Corte que travaria a prorrogação da concessão da Malha Paulista e abriu caminho para que o aditivo possa ser assinado entre o governo federal e a Rumo, que opera o trecho ferroviário. Com a decisão, segundo o Ministério da Infraestrutura, a expectativa é de que o contrato possa ser celebrado já na próxima semana.
Primeira renovação antecipada de concessão ferroviária, o plano foi aprovado pelo TCU em dezembro do ano passado. Porém, após modificações em alguns pontos do contrato, a Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura Portuária e Ferroviária do tribunal afirmou ter identificado quatro supostos indÃcios de irregularidade, e solicitou que o encaminhamento da assinatura fosse suspenso.
Coube ao relator do caso analisar o pedido, que apontava questões envolvendo o valor de investimentos que será exigido da Rumo e possÃvel perda de 'vantajosidade' na prorrogação antecipada, entre outros pontos.
Em decisão assinada na quarta, Augusto Nardes rejeitou todos os questionamentos levantados pela área técnica. "Não verifiquei descumprimento à s determinações deste Tribunal, tampouco prejuÃzos decorrentes dos ajustes implementados no regular atendimento à s medidas constantes do Acórdão", afirmou o ministro.
A deliberação foi comemorada pelo ministro da Infraestrutura, TarcÃsio de Freitas. Em seu perfil no Twitter, Freitas lembrou que, com a renovação, o objetivo é dobrar a capacidade da ferrovia, com previsão de R$ 6 bilhões em investimento. "Ministro do @TCUoficial Augusto Nardes acaba de autorizar novo contrato p/ Malha Paulista. R$ 6 BI em investimento e 10 mil empregos nos próximos 5 anos. Dobraremos capacidade da ferrovia", escreveu o ministro.
Freitas também pontuou que essa é a primeira renovação assinada "dentro da linha do Pró-Brasil", plano do governo federal para recuperação social e econômica - que, no âmbito do Ministério da Infraestrutura, é anterior à crise do novo coronavÃrus. "Estamos prestes a iniciar mais um capÃtulo importante para a maior revolução sobre trilhos de nossa história recente", disse.
Investimentos
Um dos questionamentos levantados pela área técnica girou em torno do valor de investimentos a ser aplicados para mitigação de conflitos urbanos, que foi de R$ 2,6 bilhões para R$ 673 milhões. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) respondeu, por sua vez, que os valores atualizados estão baseados em projetos e orçamentos, como pedido pelo próprio TCU no julgamento de dezembro.
"Por isso, há que se ver com ressalvas a afirmação da unidade técnica de que o valor anterior era R$ 2,6 bilhões. Em todo o histórico deste processo da prorrogação, não há qualquer documento que demonstrasse a necessidade de investimentos dessa magnitude", afirmou Nardes.
Outra mudança apontada pela área técnica foi sobre os investimentos necessários para o aumento da capacidade da ferrovia, que foi reduzido de R$ 1,51 bilhão para R$ 1,33 bilhão. A secretaria verificou que foram excluÃdos alguns dos investimentos anteriormente previstos (um pátio e três trechos de linhas singelas).
A ANTT respondeu que identificou que as obras se revelaram desnecessárias, o que foi constatado após a agência usar um novo software em que refez as simulações da Malha Paulista. Nardes concordou com os argumentos trazidos pela ANTT e afirmou ainda que não compete ao TCU assumir o papel de "gestor" para definir a alternativa adotada pelo governo.
Com os valores de investimento alterados, o montante da outorga também acabou sofrendo alterações, o que também gerou insatisfação da área técnica. A alegação era de que seria inadequado o pagamento direto de outorga em R$ 2,8 bilhões, já que antes os recursos seriam aplicados inteiramente em investimentos. "O Plenário desta Corte em nenhum momento vedou o pagamento de outorga e tampouco determinou que o prazo da prorrogação se restringisse ao necessário para a amortização dos novos investimentos", rebateu Nardes.
Fonte: Estadão Conteúdo