18/05/2021 19h10
MP da Eletrobras: relator mantém 'jabutis' e condiciona venda à compra de energia
O relator da Medida Provisória que permite a privatização da Eletrobras, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), manteve vários "jabutis" que aumentam os custos da operação em seu parecer. A proposta tem votação prevista para esta quarta-feira, 19.
Entre as obrigações que o governo terá de cumprir para privatizar a estatal, está a contratação de 6 mil megawatts de termelétricas em diversas regiões do PaÃs e de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), além de prorrogar os contratos de energia de eólicas contratadas no âmbito do Programa de Incentivo à s Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). As três obrigações têm como consequência o aumento do custo da energia para o consumidor final.
Nascimento, no entanto, retirou trechos polêmicos como os que embutiam uma solução para o tema do empréstimo compulsório e que dava à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o poder de interferir no mercado de energia e evitar concentração de mercado, e não apenas no caso da Eletrobras, mas em todas as empresas do setor elétrico.
Nos bastidores, o governo entendia que estes dois itens eram um "bode na sala" e que o relator nunca teve a intenção de mantê-los, mas de usá-los como moeda de troca para negociar a manutenção dos programas para termelétricas, PCHs e a renovação do Proinfa.
No texto, Nascimento manteve a possibilidade de renovação antecipada da usina de TucuruÃ, um dos maiores ativos da Eletronorte, e incluiu também a prorrogação da concessão da Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes para Furnas.
O deputado manteve ainda a trava de 10% para a participação de cada acionista no capital social e a ação de classe especial golden share para União, que garante esse limite e alterações no estatuto relacionadas, de forma a garantir que a empresa se torne uma corporation, com controle difuso no mercado.
Nascimento manteve, também, a obrigação da Eletrobras de direcionar recursos para investimentos nas regiões Nordeste, Norte e Sudeste e não elevou os valores prometidos. No caso do Nordeste, os recursos serão geridos por um comitê gestor a ser criado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional - depois de muita polêmica, ele tirou essa atribuição da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do ParnaÃba (Codevasf), estatal marcada por indicações polÃticas e mau uso de recursos públicos.
Para ter direito a novos contratos de concessão no regime de produção independente, a preços livres, substituindo o regime de cotas, que cobre apenas custos de operação e manutenção, a Eletrobras terá que pagar à União um bônus de outorga. Esses recursos, segundo o relatório, serão divididos na proporção de 50% para o fundo setorial Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo embutido na conta de luz que paga subsÃdios e descontos tarifários a grupos de interesse, e 50% para o Tesouro. Nesse caso, porém, o dinheiro da CDE irá apenas para consumidores cativos, excluindo os consumidores livres.
O relatório ainda determina uma divisão do superávit de Itaipu após 2023, ano em que o empréstimo para sua construção será quitado, o que deve diminuir sua tarifa em 50%.
De 2023 a 2032, dois terços dos recursos ficarão com a CDE e 25% com a União - mas o governo deverá usar os recursos em um programa de transferência de renda. "Essa é uma novidade que foi incluÃda a pedido do governo", disse ele.
De 2033 em diante, 50% ficam com a CDE e 25% para a União. Outros 25% serão destinados aos programas regionais do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, que ficariam sem recursos após as transferências da Eletrobras, que valerão por dez anos.
Nascimento obrigou ainda o governo a realocar população em faixa de servidão de linhas de transmissão em até três anos. A medida valerá para todas as regiões metropolitanas das capitais. A medida será paga com recursos aportados no Programa Casa Verde e Amarela. Não há estimativa do custo. A faixa de servidão também poderá ser usada para implantação de pavimentação rodoviária.
O relator manteve ainda a possibilidade de que empregados da Eletrobras possam comprar ações antes da capitalização a preços mais baixos. A emenda não tem apoio do governo. "Não há compromisso do governo em apoiar ou não vetar", afirmou o deputado. "O restante do texto, 99%, foi feito em comum acordo com o governo."
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Fonte: Estadão Conteúdo