11/05/2017 17h06
MRE: acordo do Mercosul com União Europeia pode ser assinado no começo de 2018
As conversas para um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia estão avançadas e o documento final pode ser assinado no começo de 2018, afirmou nesta quinta-feira, 11, o subsecretário geral de assuntos econômicos e financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Cozendey.
Já as conversas comerciais do Brasil com o México estão "bastante difÃceis", disse ele durante seminário do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O governo brasileiro começa em junho reuniões para buscar um acordo com um grupo de paÃses europeus, que inclui SuÃça, Noruega e Islândia, e no segundo semestre a expectativa é que tenham inÃcio conversas comerciais com o Canadá.
"A negociação que está mais avançada no momento é a do Mercosul com a União Europeia", disse Cozendey. Representantes dos dois blocos têm uma agenda mensal de reuniões até dezembro, com exceção do mês de agosto, que é de férias de inverno no Hemisfério Norte.
Para aprofundar e alcançar a fase final das conversas, Cozendey disse que era preciso passar pelas eleições francesas, que terminaram no último domingo. "Havia resistência, liderada pela França, na área agrÃcola." Uma vitória da candidata de extrema direita, Marine Le Pen, praticamente representaria o fim das conversas, afirmou o subsecretário a jornalistas após a apresentação.
Depois das eleições francesas, a expectativa é chegar em dezembro com o resultado "quase final" do acordo, ressaltou ele. Assim, a assinatura final pode ocorrer no começo de 2018.
O acordo comercial do Brasil com o México, disse Cozendey, está "bastante difÃcil" de avançar. "A resposta mexicana tem sido limitada", disse ele, destacando que é difÃcil entender a estratégia do paÃs, que já negociou uma série de acordos com vários paÃses. Segundo ele, não é só a questão agrÃcola que tem dificultado as conversas, mas também as industriais.
Historicamente, Cozendey contou que quando o México quis negociar o Brasil não quis. Já quando BrasÃlia resolveu fazer as negociações, foi a vez dos mexicanos não quererem conversas. "Estamos agora em uma nova tentativa e tem sido bastante difÃcil."
Cozendey destacou em sua apresentação que o Brasil optou por ter uma série de acordos regionais, fechados com paÃses como Chile e BolÃvia e outros em andamento para fechar em breve, com Peru, Colômbia e Equador.
Com o Japão, Cozendey disse que tem havido certa resistência, porque o paÃs está preferindo rearranjar sua estratégia para a Ãsia após o fim da Parceria TranspacÃfico (TPP, na sigla em inglês), que acabou após a posse de Donald Trump nos Estados Unidos. "Temos dito a eles (Japão) que o Brasil tem pouca capacidade de fazer várias negociações ao mesmo tempo. Quem chegar primeiro, a gente se engaja. Quem não chegar, perde as preferências do mercado brasileiro."
Fonte: Estadão Conteúdo