02/09/2022 10h20
Índice de Preços de Alimentos da FAO recua pelo 5º mês consecutivo
O Ãndice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) teve uma média de 138 pontos em agosto, queda de 2,7 pontos (1,9%) ante julho, mas ainda 10,1 pontos (7,9%) acima do nÃvel do mesmo perÃodo do ano passado. Segundo a FAO, todos os subÃndices apresentaram baixa moderada em agosto, com quedas porcentuais mensais variando de 1,4% para cereais a 3,3% para óleos vegetais. É o quinto mês consecutivo que o Ãndice registra queda.
O subÃndice de preços dos cereais teve média de 145,2 pontos em agosto, queda de 2 pontos (1,4%) em relação a julho, mas ainda 14,8 pontos (11,4%) acima de seu valor de agosto de 2021. Os preços internacionais dos grãos subiram 0,2% em agosto e ficaram em média 12,4% acima de seus valores de um ano atrás. De acordo com a organização, o trigo teve o seu terceiro declÃnio mensal consecutivo, tendo caÃdo até 5,1% em agosto, em parte, como reação à s melhores perspectivas de produção, especialmente no Canadá, nos Estados Unidos e na Rússia.
A disponibilidade sazonal das safras em andamento no Hemisfério Norte também pesou nos preços, assim como a retomada das exportações dos portos do Mar Negro na Ucrânia pela primeira vez em mais de cinco meses de interrupção. Apesar disso, as cotações internacionais do trigo ainda estavam 10,6% acima de seus valores em agosto do ano passado. As exportações da Ucrânia também impediram que os preços do milho tivessem um aumento mais expressivo. Mas, ainda assim, eles subiram 1,5%, impulsionados em grande parte influenciados pelas perspectivas de produção mais baixas na União Europeia e nos Estados Unidos devido ao clima quente e à s secas. Por outro lado, os preços globais da cevada e do sorgo caÃram 3,8% e 3,4%, respectivamente.
O levantamento mensal da FAO apontou que o subÃndice de preços dos Óleos Vegetais teve média de 163,3 pontos em agosto, queda mensal de 5,5 pontos (3,3%), o que colocou o valor do Ãndice um pouco abaixo do nÃvel do ano anterior. O movimento acompanhou o recuo nos preços dos óleos de palma, colza e girassol, que compensaram as cotações mais altas do óleo de soja, disse o órgão.
As cotações internacionais do óleo de palma recuaram pelo quinto mês consecutivo em agosto, "impulsionados pelo aumento das disponibilidades de exportação da Indonésia, principalmente graças aos impostos de exportação mais baixos, bem como ao aumento sazonal da produção no Sudeste Asiático", explicou o relatório. As cotações internacionais do óleo de colza também caÃram em agosto, em virtude das perspectivas de ampla oferta para a próxima temporada 2022/23. Por outro lado, os preços mundiais do óleo de soja não tiveram uma recuperação expressiva devido a preocupações com as condições climáticas desfavoráveis para a produção da oleaginosa nos Estados Unidos. No caso do óleo de girassol, os preços internacionais caÃram devido à demanda de importação global moderada, que coincidiu com a retomada gradual dos embarques dos portos da Ucrânia.
Na sondagem mensal da FAO, o subÃndice de preços das carnes caiu em agosto. Conforme a FAO, os preços das carnes tiveram média de 122,7 pontos em agosto, com queda de 1,8 pontos (1,5% abaixo em relação a julho), marcando o segundo declÃnio mensal após uma alta recorde em junho de 2022, mas se mantendo 9,3 pontos (8,2%) acima do mesmo perÃodo no ano anterior.
Segundo a entidade, as cotações de preços da carne bovina caÃram devido à demanda doméstica mais fraca em alguns dos principais paÃses exportadores, o que aumentou a oferta de exportação, com um incremento modesto na oferta australiana. Em compensação, as cotações da carne suÃna subiram devido à continuidade da baixa oferta de suÃnos prontos para abate. Os preços internacionais da carne de aves tiveram uma queda relacionada à s "menores compras de importação pelos principais importadores e disponibilidades globais de exportação um pouco elevadas", afirmou o relatório.
O subÃndice de preços de LaticÃnios, por sua vez, registrou média de 143,5 pontos em agosto, queda de 3 pontos (2%) em relação a julho. A média, porém, é 27,3 pontos (23,5%) acima do seu valor no mês correspondente ao ano passado. Segundo a FAO, em agosto, as cotações internacionais de manteiga e leite em pó caÃram, principalmente devido à menor demanda por esse tipo de suprimento da maioria dos principais importadores, "uma vez que os estoques permaneceram adequados para atender à s suas necessidades imediatas", justificou o documento.
"As expectativas do mercado para o aumento da oferta da Nova Zelândia na nova temporada de produção também pesaram sobre os preços internacionais, apesar da produção de leite ter diminuÃdo em várias regiões produtoras importantes, incluindo a Europa Ocidental e Estados Unidos", acrescentou a organização.
Enquanto isso, os preços mundiais do queijo aumentaram pelo décimo mês consecutivo, em reflexo a uma demanda de importação global estável e vendas internas robustas, especialmente nos destinos turÃsticos europeus.
A FAO calculou, ainda, que o subÃndice de preços do açúcar ficou, em média, 110,4 pontos em agosto, queda de 2,4 pontos (2,1%) em relação a julho, marcando a quarta queda mensal consecutiva e atingindo seu nÃvel mais baixo desde julho de 2021. "A queda de agosto foi desencadeada principalmente pelo aumento do teto de exportação de açúcar na Ãndia e preços mais baixos do etanol no Brasil, o que aumentou as expectativas de um maior uso da cana-de-açúcar para a produção de açúcar", ressaltou a FAO.
No entanto, a entidade também destacou que a produção de açúcar abaixo do esperado no Brasil na primeira quinzena de agosto devido ao clima adverso, juntamente com as preocupações persistentes sobre o impacto das condições secas na safra de 2022 na União Europeia, impediram quedas mais substanciais dos preços do adoçante. "A valorização do real frente ao dólar norte-americano também contribuiu para limitar a queda dos preços mundiais do açúcar", concluiu o relatório.
Fonte: Estadão Conteúdo