31/05/2018 21h11
'Ninguém mais vai subir ou descer', diz áudio atribuído a empresário preso
O primeiro preso por suposta prática de locaute durante as manifestações de caminhoneiros é o empresário Vinicius Pellenz, dono da empresa de logÃstica Irapuru de Caxias do Sul (RS). A Justiça Federal decretou a prisão temporária de Pellenz baseada na possÃvel prática de atentado a liberdade do trabalho, ameaça e associação para o crime.
O jornal O Estado S. Paulo teve acesso a um áudio atribuÃdo ao empresário com suposta ameaça a caminhoneiros que continuavam a trabalhar após o inÃcio da greve.
- Ô nego, para teus caminhão ali. Vieram falar aqui que ali no Alto Feliz tu tá andando com milho. Não leva milho, não faz nada para a Agrosul - diz o áudio creditado ao empresário.
Em outro trecho da gravação, distribuÃda em grupos de WhatsApp utilizados pelos grevistas, o empresário manda um caminhoneiro parar os caminhões.
- Os guris já estão ligados. Tem uns caras escondidos nos morros das batatas ali pra cima. Agora, ninguém vai mais subir e ninguém vai descer. Para os caminhão.
Em seu site, a Irapuru diz ser "reconhecida como um dos mais modernos e bem equipados operadores logÃsticos do paÃs, dedicando seus serviços à movimentação e armazenagem de carga em todo território nacional, Argentina e Uruguai".
A empresa tem sede em Caxias do Sul (RS) e filiais em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, EspÃrito Santo e Distrito Federal.
Operação. Deflagrada na manhã de ontem, operação Unlocked Desbloqueado, teve como objetivo reprimir a prática de locaute em rodovias do Rio Grande do Sul. Ilegal no Brasil, esse tipo de paralisação é promovida por empresários para atender aos seus interesses.
Segundo a PF, mais de 60 policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão nos municÃpios de Vale Real e Caxias do Sul, e um de prisão temporária em um condomÃnio de luxo em Xangrilá.
O crime, ainda de acordo com a PF, teria ocorrido nas rodovias RS-122, RS-452 e BR-116, na região dos municÃpios de Bom PrincÃpio, Feliz e Vila Cristina, no Rio Grande do Sul.
A reportagem ligou para os telefones disponÃveis no site da Irapuru, mas não foi atendido.
Fonte: Estadão Conteúdo