15/02/2021 18h22
Não é dinheiro tirado do cofre, é endividamento, diz Bolsonaro sobre auxílio
Em agenda com prefeitos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que uma nova rodada de auxÃlio emergencial está sendo discutida, mas que o governo não tem "dinheiro no cofre" para bancar a retomada do benefÃcio, o que deve afetar o endividamento do PaÃs. "A arrecadação esteve praticamente equivalente no municÃpio tendo em vista o auxÃlio emergencial, que volta a ser rediscutido. Não é dinheiro que eu estou tirando do cofre, é endividamento. Isso é terrÃvel também", declarou o presidente aos prefeitos.
Com o aumento de despesas públicas em função da pandemia do novo coronavÃrus, a dÃvida pública fechou 2020 em R$ 6,615 trilhões, o que representa o patamar recorde de 89,3% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar recorde.
O agravamento da pandemia, no entanto, pressiona o governo para uma nova rodada do auxÃlio emergencial. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, a equipe econômica aceita uma nova rodada de R$ 200 por três meses, desde que o Congresso aprove medidas de contenção de gastos e um novo marco fiscal para dar respaldo jurÃdico à retomada do benefÃcio.
Bolsonaro ainda indicou que o governo poderá dar novo apoio a municÃpios neste ano. O chefe do Executivo voltou a dizer que as medidas "na ponta linha" de combate à pandemia da covid-19 foram tomadas por governadores e prefeitos, enquanto ao governo federal coube enviar "recursos e meios".
"O presidente foi deixado de lado em grande parte das suas atribuições, a não ser mandar recursos e meios, o que nós fizemos. Se for preciso, no corrente ano, a gente vai continuar com esse atendimento a vocês (prefeitos) porque vocês não têm quem socorrê-los", disse o presidente em breve reunião com prefeitos no Ministério da Educação.
No ano passado, o governo federal direcionou socorro financeiro a Estados e municÃpios para o enfrentamento da crise sanitária do novo coronavÃrus. Ao contrário da União, que terminou 2020 com rombo recorde nas contas públicas, governadores e prefeitos fecharam no azul no ano passado, graças à ajuda do governo federal.
Segundo Bolsonaro, é preciso conviver com a doença e voltar a trabalhar. "Vamos ter que conviver com esse vÃrus, não adianta falar que passando o tempo vai resolver. Estão vendo que não vai. Novas cepas estão aparecendo. Agora, o efeito colateral do tratamento inadequado mata mais gente do que o vÃrus em si", afirmou.
E acrescentou: "A economia não voltou ainda. Por isso eu apelo: quem puder abrir, abra o comércio. Vejo alguns municÃpios até protestando contra o respectivo governador."
A conversa com os prefeitos, que durou menos de 20 minutos, não estava prevista na agenda oficial do presidente. Ele participou de uma agenda do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que desde cedo está reunido com os prefeitos.
Após a visita ao MEC, Bolsonaro se deslocou para o Ministério da Defesa.
O chefe do Executivo participou de almoço seguido de reunião com o ministro da pasta, Fernando Azevedo. O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, também participou do encontro.
Fonte: Estadão Conteúdo