12/06/2017 10h00
Nova regra poderá facilitar descontos para compras à vista
Conseguir descontos nas compras à vista pode ficar mais fácil com a regulamentação de uma prática que já era adotada - de forma irregular - pelos lojistas. A Medida Provisória 764/2016, aprovada pelo Senado no final de maio, permite que comerciantes façam um preço diferente de acordo com o meio de pagamento, seja dinheiro, cartão de débito ou crédito.
A nova regulamentação também obriga os estabelecimentos a informar os clientes, em local visÃvel, sobre essas ofertas. Em caso de descumprimento, as lojas estarão sujeitas à s penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor, que incluem multas e, em último caso, até mesmo a cassação do alvará de funcionamento.
Idealizada principalmente para liberar capital de giro para os comerciantes, que demoram até 45 dias para receber o dinheiro das compras feitas no cartão de crédito, a medida é considerada um estÃmulo para reaquecer o setor varejista, que apresenta um recuo de 5,3% nos últimos 12 meses terminados em março, segundo o IBGE.
Para entrar em vigor, a MP aguarda a aprovação do presidente Michel Temer, o que deve ocorrer até o dia 26 de junho. Entre comerciantes e consumidores, no entanto, ainda há dúvidas a respeito da efetividade prática da medida.
O varejista Levon Desmendjian, que é proprietário de uma loja de sapatos e bolsas instalada há 35 anos na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, em São Paulo, espera que a regulamentação o ajude a não perder mais clientes. Ele diz que, muitas vezes, deixou de vender seus produtos porque as pessoas insistiam em conseguir descontos que as lojas não eram obrigadas a dar.
"Colocando os avisos de descontos, podemos atrair tanto o cliente que não abre mão de pagar com cartão quanto aquele que prefere sacar dinheiro no banco e voltar aqui para conseguir seus 5% de desconto - que é a margem que conseguimos para os pagamentos sem a maquininha", diz Desmendjian.
A gerente de uma loja de roupas na Vila Mariana, Renée Falco, acredita que a medida pode representar um alÃvio para o comércio. "Espero que assim as pessoas passem a usar mais o pagamento à vista. O cartão de crédito, que é muito usado, acaba sendo a pior opção para nós por causa na demora do pagamento", conta.
Para o diretor de fiscalização do Procon, Osmario Vasconcelos, a adequação das lojas às novas regras deve levar algum tempo, mas os consumidores devem ficar atentos desde já às variações de preços. "A loja deverá estar bem sinalizada e o consumidor não poderá ficar com nenhuma dúvida sobre o preço final do produto desejado."
Status
Apesar de parecer um comportamento óbvio, pedir um desconto pode não ser tão simples. Para a especialista em economia comportamental e planejadora financeira pela Planejar, Paula Sauer, o brasileiro, de modo geral, ainda tem vergonha de tentar baixar o preço de uma mercadoria porque acredita que isso o coloca em uma situação de fragilidade e desigualdade.
"Escondemos nossos salários, mas adoramos esbanjar o que compramos", aponta Paula. Para ela, o ato de barganhar depende muito do ambiente em que o consumidor está. "É mais difÃcil ver um cliente pedindo desconto durante a compra de um celular de última geração, por exemplo."
É o que acontece, por exemplo, com a pedagoga Gisela Mello. Ela conta que se sente constrangida em pedir descontos em lojas de shoppings. "O ambiente mais sofisticado e até mesmo a postura das vendedoras te pressionam para que aceite o preço que está ali", diz.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo