23/03/2017 08h57
Novo plano da Oi é aprovado, mas deve enfrentar resistência de credores
O conselho de administração da operadora de telefonia Oi aprovou ontem uma nova versão do plano de recuperação judicial depois de mais seis meses da entrega de uma primeira proposta à Justiça, que recebeu duras crÃticas dos credores. A nova versão traz melhora no prazo de pagamento para credores, como bancos e fornecedores, além da opção de entrega imediata de ações da companhia, com 25% do capital, o que não ocorria na primeira proposta.
As mudanças serão entregues à Justiça e terão de passar pela avaliação dos credores, em assembleia ainda sem data determinada. Hoje, o presidente da tele, Marco Schroeder, irá abordar os as mudanças em teleconferência com analistas e investidores sobre o resultado da companhia em 2016.
A Oi informou ontem que encerrou 2016 com um prejuÃzo lÃquido consolidado de R$ 7,121 bilhões, uma piora de 27,6% em comparação com o prejuÃzo de R$ 5,581 bilhões em 2015.
A reunião do conselho ocorreu em meio a pressões sobre uma possÃvel intervenção do governo diante da falta de avanço na aprovação do plano. A tele, que tem dÃvidas de cerca de R$ 65 bilhões, entrou com pedido de recuperação judicial em junho do ano passado e entregou em setembro a primeira proposta do plano, mas não havia apresentado mudanças após as crÃticas.
Novo plano
Os credores financeiros que quiserem converter suas dÃvidas em ações terão que escolher um combo, composto por participação na companhia e novos tÃtulos da dÃvida. Os detentores de tÃtulos da Oi ("bondholders") carregam hoje dÃvida de R$ 32 bilhões da tele. Caso haja a aprovação do plano, a proposta é que os credores financeiros fiquem com 25% do capital após a reestruturação. Além disso, haverá a emissão de dois tÃtulos. Um de R$ 2,8 bilhões com vencimento em 2027 e o outro de R$ 3,9 bilhões. Este último poderá ser convertido em ações no 36.º mês, caso não ocorra o resgate dele anteriormente pela companhia.
O novo plano traz uma melhora no prazo de pagamento para os credores quirografários (sem garantia real), como bancos e fornecedores. O prazo médio de pagamento cai de 13,5 anos - proposta de setembro - para 12,4 anos. Já o prazo total ficou em 16 anos. Serão seis anos de carência para pagamento de juros, ante sete anos na primeira versão. Já a carência para pagamento de principal caiu de 10 anos para seis anos.
Oposição
Apesar das revisões na primeira proposta, o novo plano da Oi deve continuar a enfrentar forte resistência de boa parte dos credores, apurou o Estado. Os credores se opõem ao fato de a companhia tentar reduzir drasticamente o valor que têm a receber e reclamam do fato de os atuais acionistas se negarem a estudar as propostas alternativas apresentadas para a reestruturação da Oi.
O empresário egÃpcio Naguib Sawiris, que tem o apoio do banco Moelis (representante de boa parte dos credores), e o fundo Elliott já apresentaram propostas alternativas. O fundo americano Cerberus, que está fazendo "due dilligence" (auditoria) na companhia, também tem proposta, mas não a apresentou oficialmente.
"Os atuais acionistas da companhia (Pharol, que representa a Portugal Telecom, e a Société Mondiale, do empresário Nelson Tanure) são resistentes à entrada de dinheiro novo dos planos alternativos apresentados à operadora", afirmou uma fonte a par do assunto. Segundo essa fonte, a resistência é porque, com a injeção de dinheiro, os credores - fornecedores, bancos públicos e privados, governo - seriam beneficiados. Já os acionistas seriam diluÃdos", disse. Na segunda-feira, os bondholders (detentores de tÃtulos de dÃvida) da Oi representados pela Moelis, que detêm cerca de US$ 3,5 bilhões em tÃtulos emitidos pela empresa no exterior, apresentaram uma petição requerendo que o juÃzo da recuperação convoque audiência de conciliação entre a Oi e suas afiliadas e todos os seus credores. Esse pedido é para que a proposta feita por esses e outros credores sejam ouvidas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo