02/06/2018 11h21
Novos subsídios levaram à demissão de Parente
A saÃda de Pedro Parente do comando da Petrobrás foi motivada pela movimentação do Palácio do Planalto e de lideranças do Congresso para reduzir os preços da gasolina e do gás, depois do congelamento do preço do diesel, e pelo interesse do governo e de parlamentares nos R$ 100 bilhões do leilão dos barris de petróleo excedentes do pré-sal para bancar novos subsÃdios.
Parente sabia que a crise não estava no fim e sem solução à frente, apesar do pacote de medidas do governo para acalmar os caminhoneiros, que até agora já custou R$ 13,5 bilhões de recursos do Orçamento.
Além do diesel, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, passou a defender publicamente um "colchão" para amortecer os preços de outros combustÃveis, como a gasolina, ao consumidor. Pré-candidato ao Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elegeu como prioridade subsidiar o preço do gás de cozinha.
O sinal de que governo buscava alternativas fiscais rápidas para bancar novas medidas - com o temor de que a greve terminasse num processo de convulsão social - ficou evidente para Parente nos últimos dias.
Na quarta-feira, ele conversou com Maia por telefone. Uma semana antes, em meio à paralisação dos caminhoneiros, o presidente do Senado, EunÃcio Oliveira (MDB-CE), em entrevista ao Estado, disse que entre Parente e os consumidores, ficaria com os últimos. No feriado de Corpus Christi, numa conversa reservada com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em São Paulo, expôs as dificuldades e o caminho que seguiria. Era a prévia do que apresentaria ontem ao presidente Michel Temer, em reunião que durou 20 minutos.
Segundo informações obtidas pelo Estado, Parente percebeu o movimento polÃtico e decidiu entregar o cargo. Não tomou a decisão de última hora nem pegou Temer de surpresa. Sob pressão, ele avaliou que sua permanência seria contraditória com tudo o que sempre defendeu.
O agora ex-presidente da Petrobrás já tinha enviado sinais ao Planalto, durante a negociação para pôr fim à greve dos caminhoneiros, de que não faria mais concessões. Dois anos depois de ter assumido uma empresa que virou alvo da Lava Jato, com seu último presidente, Aldemir Bendine, preso, Parente deixou o governo convencido de que suas decisões na Petrobrás não foram uma "escolha caprichosa", como afirmou em vÃdeo postado na rede interna da estatal. As tentativas de culpá-lo pela crise dos caminhoneiros o incomodavam.
O interesse de todos sobre os recursos que podem reforçar os cofres públicos com a revisão do acordo da União e Petrobrás pela exploração do pré-sal foi o fato novo a reforçar a percepção de Parente de que, sem espaço para elevar tributos, além da resistência para manter a polÃtica de preços, a nova batalha seria a cessão onerosa.
A equipe de Michel Temer está preocupada com o "efeito rebote" das manifestações dos caminhoneiros, algo que poderia prejudicar ainda mais a já desgastada imagem do presidente, perto das eleições.
O núcleo polÃtico do governo e a cúpula do MDB pressionam Temer por medidas de maior impacto para a crise. O cuidado, porém, é para que possÃveis novos anúncios sejam embalados como propostas para reduzir a volatilidade dos preços dos combustÃveis ao consumidor, sem interferência na Petrobrás.
Como fonte para os novos subsÃdios passaram a ser cobiçados s até R$ 100 bilhões que podem sair do leilão do excedente do pré-sal. A área polÃtica quer agilizar o processo de acordo da cessão onerosa para que o leilão aconteça ainda em setembro a tempo de garantir nova injeção de recursos para a economia "na ponta", como afirmou um lÃder polÃtico, sob a condição de anonimato. Em meio à constatação do Planalto de que o subsÃdio ao diesel não era suficiente para acalmar a insatisfação popular, Parente recebeu um telefonema de BrasÃlia que o questionou sobre quando seria possÃvel colocar o leilão do excedente do pré-sal na rua.
Desgastado, Parente preferiu sair. Na avaliação do executivo, sua demissão evitaria um desgaste maior para a empresa, servindo de obstáculo à escolha de um nome polÃtico para comandá-la, o que se confirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo