07/09/2018 08h10
Para diversificar receita, bancos apostam no setor de benefícios
Os grandes bancos descobriram no setor de benefÃcios ao trabalhador um novo mercado para diversificarem suas receitas sem exposição de crédito e, de quebra, amarrarem os clientes corporativos. No radar, está um segmento com potencial de dobrar de tamanho em cinco anos, atingindo R$ 300 bilhões.
Em uma ofensiva para abocanhar uma fatia deste mercado, o Itaú Unibanco se aliou à Ticket Serviços, do grupo francês Edenred, logo depois do anúncio do Santander Brasil que se uniu à bandeira de cartões Visa, aumentando, assim, a concorrência para a lÃder do setor, a Alelo, de Bradesco e Banco do Brasil.
Estimativas não oficiais indicam que o setor de benefÃcios ao trabalhador como um todo deve movimentar este ano algo em torno dos R$ 150 bilhões. Contribui, sobretudo, o movimento de diversificação que vem tomando este segmento, no passado mais focado no tradicional cartão alimentação, principalmente no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), e que passou a incluir também soluções de pagamento de transporte, saúde, educação e cultura. Soma-se a isso a mudança da lei trabalhista, que trouxe maior clareza no que tange aos benefÃcios ao trabalhador não serem considerados para efeito de pagamento de salário.
Embora tenha sido o último banco privado a fincar os pés no mercado de benefÃcios, o Itaú firmou parceria com a Ticket - no PaÃs há 42 anos e entre as três maiores deste segmento -, para se posicionar frente aos rivais. O banco adquiriu uma participação de 11% na controlada brasileira e garantiu exclusividade na oferta de produtos da francesa em seus canais. O valor do negócio não foi revelado.
Já o Santander, após anunciar a criação da Ben BenefÃcios, firmou parceira com a Visa, reativando a marca Visa Vale que tinha praticamente saÃdo do Brasil quando BB e Bradesco compraram a parte da bandeira na empresa que na sequência originou a Alelo.
"A enorme capilaridade dos grandes bancos deve contribuir para ampliar a base do mercado, levando em conta o tamanho continental do Brasil", avalia a presidente da Associação Brasileira das Empresas de BenefÃcios ao Trabalhador (ABBT), Jéssica Srour.
Só no setor de vales refeição e alimentação no âmbito do PAT, são mais de 22 milhões de trabalhadores atendidos. O potencial, conforme ela, contudo é bem maior, considerando o tamanho do PaÃs bem como os 13 milhões de desempregados existentes em meio à recente crise que o Brasil enfrentou. Um dos alvos de Itaú e Ticket, segundo o presidente da Edenred Brasil, Gilles Coccoli, é justamente esse contingente de brasileiros que pode voltar ao emprego formal com a retomada da economia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo