19/03/2021 08h10
Para economistas, governo tem de focar nas vacinas
A piora da pandemia de covid-19 neste inÃcio de ano exigirá novas medidas, com mais gastos por parte do governo federal, e levará ao aumento do rombo nas contas públicas. No curto prazo, o foco da ação do governo deveria ser a aceleração da vacinação, disseram três economistas de diferentes correntes teóricas, em debate ontem promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), em parceria com o Estadão. O resultado é um aumento da dÃvida pública. A busca pelo equilÃbrio das contas poderá ficar para depois, e o aumento de impostos está no radar.
No curto prazo, os economistas reconheceram a importância de uma nova rodada do auxÃlio emergencial. Para o economista Manoel Pires, coordenador do Observatório Fiscal do Ibre/FGV, o debate sobre a reedição da medida, por meio da PEC emergencial, errou ao ser travado em torno de possÃveis cortes de despesas, para compensar o gasto adicional. "É muito difÃcil fazer ajuste de curtÃssimo prazo da ordem de grandeza das medidas necessárias (diante do recrudescimento da pandemia)", disse Pires, um dos participantes do seminário online Os Caminhos da PolÃtica Fiscal.
O limite de R$ 44 bilhões para a nova rodada do auxÃlio emergencial foi criticado pela economista Laura Carvalho, professora e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP. Segundo ela, o valor equivale a 15% do gasto com a transferência de renda temporária no ano passado.
No médio prazo, Pires chamou a atenção para o fato de a PEC emergencial trazer em si uma "reancoragem" da polÃtica fiscal com mudanças nas regras que exigem ajuste de contas.
Mas para Fábio Giambiagim economista do BNDES, o aumento de impostos não pode ser descartado.
Conforme o especialista em Previdência e contas públicas, entre 2011 e 2021, haverá uma redução da receita bruta federal da ordem de 2% do PIB. Nesse quadro, para o economista, será impossÃvel, de 2023 em diante, fazer um ajuste que busque o equilÃbrio das contas públicas apenas pelo corte de despesas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo