26/12/2017 07h40
Para MP, operação ao RN seria precedente para outros Estados
Na recomendação que fez ao Ministério da Fazenda em relação a um eventual repasse de R$ 600 milhões ao Rio Grande do Norte, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) alerta que a operação, que serviria para pagar salários, configuraria precedente jurÃdico para que os demais Estados e mais de 5,5 mil municÃpios reivindicassem o mesmo tratamento no campo polÃtico e/ou judicial. "Se esse dinheiro for liberado para pessoal, é o inÃcio de uma sangria de bilhões de reais na União. Adeus ajuste fiscal", disse o procurador Júlio Marcelo de Oliveira.
O governo federal repassou R$ 2,9 bilhões ao Rio de Janeiro no ano passado, mas a operação tinha caracterÃsticas distintas, uma vez que o dinheiro era destinado a garantir a segurança em um evento internacional, os Jogos OlÃmpicos.
A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast, , serviço em tempo real do grupo Estado da Agência Estado, antes da manifestação do MP-TCU e também do envio da carta pelo Ministério da Fazenda, que o órgão foi surpreendido pela gravidade exposta pelo Rio Grande do Norte, uma vez que o próprio Estado vinha negociando novas operações de crédito com aval da União. O Estado não tem dÃvida com a União, mas mesmo assim não conseguiu nos últimos anos regularizar sua situação financeira.
A secretária falou antes da manifestação do MP-TCU e também do envio da carta pelo Ministério da Fazenda. Ela explicou que o Tesouro estruturou um relacionamento com os Estados baseado em contrapartidas para um ajuste estrutural, mesmo que gradual. "Nós não vemos condições de escapar dessa lógica de relacionamento. É impossÃvel inferir qual Estado fez um ajuste adequado e qual está com menos problema. Tem um risco moral embutido muito alto", afirmou a secretária.
O Tesouro enviou uma missão técnica ao Rio Grande do Norte para avaliar a situação financeira do Estado. Além disso, o Banco Mundial negocia com o Estado crédito novo para que o governo estadual possa reequilibrar suas contas, em troca de medidas de ajuste fiscal. As caracterÃsticas são semelhantes à s do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), do governo federal, que suspende por três anos as dÃvidas dos Estados com a União, desde que sejam adotadas medidas de reequilÃbrio das contas, incluindo até mesmo a venda de empresas estaduais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo