07/03/2022 12h00
Países árabes têm interesse em ampliar exportação de fertizantes para Brasil
Os paÃses árabes têm interesse e potencial em ampliar a exportação de fertilizantes para o Brasil, avalia a Câmara de Comércio Ãrabe-Brasileira. "Sem dúvidas, há interesse da indústria árabe em vender mais para o Brasil. São paÃses que podem abastecer o mercado brasileiro", disse o secretário-geral da Câmara, Tamer Mansour, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado. Estes paÃses podem atender o Brasil com o fornecimento dos três principais nutrientes: nitrogenados, fosfatados e potássicos. "Não acredito que estes paÃses consigam substituir 100% o volume que a Rússia fornece ao Brasil, porque o mundo vai olhar para os árabes como o Brasil está olhando, mas uma fatia grande eles conseguem atender", avaliou Mansour, sem detalhar qual seria o volume dessa fatia.
Entre os paÃses que poderiam exportar maior volume que o fornecido atualmente ao Brasil, Mansour cita, especialmente, Marrocos, Egito, Jordânia, Omã e Catar.
"Eles possuem produção que seria suficiente para atender o Brasil. Se trabalhar o mercado com estes paÃses, o PaÃs consegue compensar parte do volume que você perde ou que seria difÃcil de receber da Rússia no curto prazo", apontou Mansour. "Em potássio, vemos muito potencial do Marrocos e Jordânia pode ser um player novo também no fornecimento de cloreto de potássio", pontuou.
Na opinião de Mansour, o volume que os paÃses do bloco árabe poderão fornecer ao Brasil vai depender de o PaÃs sair na frente para negociações. Ele avalia que é preciso haver agilidade do Brasil na busca dos fornecedores árabes, já que outros paÃses tendem a recorrer ao bloco por causa das incertezas quanto à oferta russa de fertilizantes, em decorrência da guerra da Rússia com a Ucrânia. "Entendo que precisamos entrar agressivamente porque certamente essa falta de fertilizante não será somente da Rússia para o Brasil, mas sim da Rússia para o mundo. Europeus também devem se ressentir essa falta. Vejo que precisamos sair na frente para poder negociar com esses paÃses", afirmou o secretário-geral da Câmara de Comércio Ãrabe-Brasileira.
No ano passado, o Brasil importou 9,979 milhões de toneladas de adubos dos paÃses da Liga Ãrabe, com desembolso de R$ 4,21 bilhões. O volume representa 24% do total importado pelo Brasil. A principal origem é o Marrocos, que ocupa o quarto lugar no fornecimento total de adubos ao PaÃs em volume, atrás de Rússia, China e Canadá.
A Câmara entregou um estudo completo na última sexta-feira à Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura sobre o cenário atual de produção de adubos dos 22 paÃses do bloco e sobre o potencial de exportação da Liga Ãrabe para o mundo e para o Brasil. "O documento mostra alguns paÃses importantes, onde essa fatia da Rússia pode ser substituÃda rapidamente. Estamos mobilizados e trabalhando junto com as próprias embaixadas", explicou.
O estudo faz um diagnóstico da oferta dos paÃses árabes, oportunidade de tipos de fertilizantes que o PaÃs pode importar do bloco que ainda não importa, quais nutrientes pode aumentar a importação, quais paÃses árabes podem incrementar a exportação para o Brasil e até mesmo uma comparação de adubos importados da Rússia que poderiam ser adquiridos nos paÃses árabes.
Uma reunião com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é cogitada pela Câmara para abordar o assunto. Em paralelo, a entidade acionou as embaixadas árabes a fim de promover um diálogo com as empresas estatais fornecedoras de fertilizantes. Mansour considera importante uma eventual missão da ministra ao bloco para tratar do tema. "Enxergo um relacionamento muito bom do Brasil com estes paÃses. Hoje, existe uma boa relação governamental entre o Brasil e o mundo árabe. Confio plenamente na estratégia da ministra e a Câmara Ãrabe é parceira nisso", afirmou.
Outros reflexos
Em cenário de efetivação das sanções econômicas sobre a Rússia e consequente redução no fluxo importador e exportador ao paÃs, a Câmara de Comércio Ãrabe-Brasileira avalia que pode haver um incremento na exportação de carne bovina do Brasil à Liga Ãrabe. "Vejo um possÃvel aumento de exportação de carne bovina do Brasil que seria comercializada à Rússia para paÃses árabes", comentou.
Uma preocupação dos paÃses árabes em decorrência do conflito é com o abastecimento de trigo do bloco. "Enxergamos que haverá uma dificuldade muito grande em como os paÃses árabes irão abastecer seu mercado pelo produto principal que é o trigo. Teremos um problema muito sério, uma vez que os paÃses que mais consomem trigo no mundo são os árabes", disse Mansour.
Ele lembra que o Egito anunciou que tem estoque suficiente para o consumo local por nove meses. "A Rússia e a Ucrânia sempre foram os paÃses que abasteceram esse mercado com o trigo. Nesse mercado, vemos a Argentina como possÃvel fornecedor, além da substituição do cereal por outros produtos, como quinoa", observou.
Fonte: Estadão Conteúdo