07/10/2021 11h40
PEC de precatórios permite parcelamento de débitos previdenciários de municípios
Relator da PEC dos Precatórios na Comissão Especial da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) apresentou seu parecer nesta quinta-feira, 7. Entre as novidades, o parlamentar incluiu um novo parcelamento de contribuições previdenciárias dos municÃpios, em até 240 prestações mensais. No caso das contribuições ao Regime Geral de Previdência Social, o parcelamento será aceito com dÃvidas que venceram até 30 de setembro de 2021, ainda que em fase de execução fiscal ajuizada, inclusive os decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias e os parcelados anteriormente.
Para os municÃpios em débito com seus regimes próprios de Previdência Social, o parcelamento valerá para dÃvidas com vencimento até 31 de dezembro de 2020, inclusive os parcelados anteriormente, mediante autorização em lei municipal especÃfica. Eles também precisam cumprir uma série de exigências para pedir o parcelamento.
A formalização dos parcelamentos deverá ocorrer até 30 de junho de 2022 e ficará condicionada à autorização de vinculação do Fundo de Participação dos MunicÃpios (FPM) para fins de pagamento das prestações acordadas.
A proposta vem quatro anos depois de parcelamento semelhante ter sido implementado em uma lei de 2017, durante o governo Michel Temer. Agora, porém, é preciso uma PEC porque a reforma da Previdência de 2019 limitou o prazo dessas negociações a 60 meses.
O benefÃcio aos municÃpios incluÃdo no relatório foi originalmente proposto em outra PEC, apresentada neste ano pelo deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), como mostrou o Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado. À reportagem, o deputado afirmou que as mudanças foram incorporadas por Hugo Motta após a construção de um acordo que contou com aval também do governo. "Acertamos com os ministros Onyx (Lorenzoni, do Trabalho e Previdência), Bruno Bianco (AGU) e Paulo Guedes (Economia). Vai ser muito positivo para os municÃpios", afirmou.
Estudo da Confederação Nacional dos MunicÃpios (CNM) aponta que a aprovação do parcelamento de dÃvidas previdenciárias de prefeituras com o INSS tem potencial para reduzir os débitos em R$ 31 bilhões, o equivalente a 40% do saldo devedor.
No caso de municÃpios que contribuem para o Regime Geral, débitos parcelados terão redução de 40% das multas de mora, de ofÃcio e isoladas, de 80% dos juros de mora, de 40% dos encargos legais e de 25% dos honorários advocatÃcios. O valor de cada parcela será acrescido de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento.
Ainda segundo o texto, a Secretaria da Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ficarão responsáveis por fixar os critérios para o parcelamento do Regime Geral, assim como disponibilizar as informações aos MunicÃpios sobre o montante das dÃvidas, formas de parcelamento, juros e encargos incidentes, de modo a possibilitar o acompanhamento da evolução desses débitos.
Fonte: Estadão Conteúdo