19/06/2021 14h40
PEC pode parcelar dívidas de cidades e destravar verbas
Deputados e prefeitos articulam a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para criar um novo parcelamento de dÃvidas previdenciárias de municÃpios. O objetivo é dar à s prefeituras 20 anos para quitar os débitos, que podem superar os R$ 100 bilhões, e ainda regularizar a situação dos municÃpios que hoje estão negativados por falta de pagamento e ficam sem receber recursos de convênios, transferências e até de emendas parlamentares destinadas por deputados e senadores a seus redutos eleitorais.
A PEC foi apresentada pelo deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) com apoio de outros 171 parlamentares da base aliada e da oposição - segundo ele, um sinal de que a pauta é "suprapartidária" e deve ter amplo apoio na Casa.
A proposta surge quatro anos depois de parcelamento semelhante ter sido criado por meio de uma lei de 2017, ainda durante o governo Michel Temer (2016-2019). Agora, porém, é preciso uma PEC porque a reforma da Previdência de 2019 limitou o prazo dessas negociações a 60 meses.
O texto autoriza cerca de 3,6 mil municÃpios que contribuem para o INSS a parcelar as dÃvidas em até 240 meses, com descontos de 80% em juros, 60% em multas e encargos e 50% em honorários advocatÃcios. O valor da parcela ficaria limitado a 2% da média mensal da Receita Corrente LÃquida (RCL) do ano anterior ao do pagamento.
Outros 2,1 mil ficariam autorizados a renegociar os débitos nos regimes próprios de Previdência, também em 20 anos. A adesão nesse caso, porém, dependeria de a prefeitura comprovar que o municÃpio reformou as regras locais de aposentadoria com parâmetros semelhantes aos praticados no governo federal, incluindo a idade mÃnima.
Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a proposta está sendo analisada pela área econômica. O pleito é considerado "legÃtimo", dado o rombo causada pela pandemia de covid-19 nas contas dos municÃpios, mas pode sofrer ajustes. O prazo e os descontos são considerados elevados pelo governo.
Além disso, será preciso calcular a renúncia potencial da medida, pois os valores das dÃvidas são expressivos. A Receita Federal informou que a dÃvida dos municÃpios com o INSS soma hoje R$ 75,7 bilhões. Já a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho informou que o saldo devedor de parcelamentos já realizados, tanto de Estados quanto de municÃpios, soma R$ 32 bilhões.
Autor da proposta, Costa Filho afirma que a PEC é uma "medida saneadora" para ajudar municÃpios que estão com dificuldades para quitar os débitos com a Previdência. Embora o Congresso Nacional tenha concedido um alÃvio temporário durante o estado de calamidade vigente em 2020, os pagamentos precisaram ser retomados em janeiro deste ano.
O deputado diz também que o novo parcelamento vai ajudar a recuperar a capacidade de investimento. "Um municÃpio que paga R$ 500 mil, com o parcelamento, passa a pagar R$ 80 mil, R$ 100 mil. Sobra dinheiro para investir", afirma.
Verba para prefeituras
Além do espaço para investimentos, os deputados têm interesse na PEC porque o parcelamento poderá regularizar a situação de 1.686 municÃpios que têm alguma pendência previdenciária no Cauc, uma espécie de cadastro de devedor das administrações municipais mantido pela União. Isso significa que 30% dos municÃpios brasileiros estão "negativados" no Cauc por causa de dÃvidas com o INSS ou o regime próprio.
O registro negativo trava as chamadas transferências voluntárias, que irrigam obras e programas locais, inclusive aqueles bancados por emendas parlamentares. "Isso começou a afetar os interesses de deputados", admite o presidente da Confederação Nacional de MunicÃpios (CNM), Paulo Ziulkoski.
Às vésperas de um ano eleitoral, os congressistas até tentaram driblar restrições e colocaram na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 a possibilidade de manter repasses para municÃpios de até 50 mil habitantes, mesmo com pendências no Cauc. Porém, esse dispositivo não alcança os débitos previdenciários, cujo pagamento é exigência da Constituição. Daà a necessidade da PEC.
Segundo Ziulkoski, além dos municÃpios que mergulharam em dificuldades por causa da pandemia, há aqueles que não aderiram à renegociação de 2017 por falta de informação. "Tem muita coisa no Orçamento que depende dessa regularização", afirma. Há pressão de parlamentares para que a PEC entre na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já na semana que vem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo