30/03/2020 16h40
Perda de moedas emergentes foi mais rápida que em crise de 2008, diz Unctad
As moedas emergentes se desvalorizaram entre 5% e 25% no inÃcio deste ano, a um ritmo mais acelerado do que o registrado durante o começo da crise financeira global de 2008, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 30, a entidade explica que o real, o rublo russo e o peso mexicano estão entre as divisas que mais perderam valor frente à moeda americana no perÃodo.
De acordo com a análise, que exclui a China, os emergentes registram fuga de capital de US$ 59 bilhões em fevereiro e março, em meio à pandemia de coronavÃrus. O valor, segundo os cálculos, é mais que o dobro que a saÃda de US$ 26,7 bilhões verificada durante o inÃcio da crise de 2008.
"O impacto econômico do choque é contÃnuo e cada vez mais difÃcil de se prever, mas há claras indicações de que as coisas vão ficar muito pior para as economias em desenvolvimento antes de melhorarem", alerta o secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi.
A estimativa do órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) é de que esses paÃses devem ter déficit financeiro de até US$ 3 trilhões nos próximos dois anos.
Para fazer frente a isso, a Conferência sugere um pacote de US$ 2,5 trilhões, incluindo US$ 1 trilhão em injeção direta com ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outro US$ 1 trilhão em alÃvio de dÃvida. Os US$ 500 bilhões restantes viriam em assistências aos sistemas de saúde.
"Se os lÃderes do G-20 estiverem certos do comprometimento por uma resposta global no espÃrito da solidariedade, deve haver uma ação proporcional para as seis bilhões de pessoas que vivem fora das economias do grupo", avalia o diretor de Estratégias de Globalização e Desenvolvimento da Unctad, Richard Kozul-Wright.
Fonte: Estadão Conteúdo