30/05/2018 08h51
Perdas causadas por paralisação já atingem R$ 50 bi
Apesar de mais desmobilizada, a greve dos caminhoneiros continua ampliando os prejuÃzos da indústria, do comércio e da agricultura do PaÃs. Dados divulgados por 13 segmentos da economia indicam perdas de mais de R$ 50 bilhões com fábricas paradas, exportações suspensas, vendas adiadas e animais mortos, entre outros problemas.
No grupo de setores com maiores perdas estão o de distribuição de combustÃvel, que deixou de vender o equivalente a R$ 11 bilhões, e o quÃmico, com perda de faturamento de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 9,5 bilhões). A cadeia produtiva da pecuária de corte deixou de movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.
Produtores de aves e suÃnos contabilizam R$ 3 bilhões em prejuÃzos, incluindo a morte de 70 milhões de aves e de 20 milhões de suÃnos, a maior parte por falta de ração. Mesmo após o fim da greve, a recuperação vai demorar a ocorrer. "O tempo que o produtor deve levar para se reestruturar é de seis meses a um ano", calcula o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula perdas de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões) só com exportações que não foram concretizadas. Segundo a entidade, 45% das 660 mil empresas do PaÃs estão paradas por falta de matéria prima ou pela dificuldade de enviar os produtos.
Ociosos
Vários setores não calcularam prejuÃzos, mas o balanço de suas atividades dá a dimensão do estrago resultante da greve. "Estamos apavorados", diz o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.
Pesquisa feita com associados da entidade indica que metade dos 300 mil funcionários das empresas do setor está ociosa em razão do desabastecimento de matérias-primas. Estoques de calçados prontos, equivalentes a um mês de produção aguardam condições de tráfego para serem despachados aos lojistas.
"Com base no volume de insumos que têm hoje, 85% das empresas só conseguem trabalhar até sexta-feira", diz Klein. Com isso, o número de trabalhadores ociosos poderá chegar a 230 mil.
Automóveis
A indústria automobilÃstica, que mantém a maioria das 40 fábricas de diversas marcas paralisadas desde sexta-feira, 25, já deixou de produzir aproximadamente 38 mil veÃculos. O setor emprega 113 mil funcionários e grande parte está em casa, sem previsão de retorno.
Ainda não há falta substancial de carros nas concessionárias, mas o desabastecimento de peças de reposição começa a se agravar, diz Alarico Assumpção, presidente da Federação Nacional da Distribuição de VeÃculos Automotores (Fenabrave).
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam perdas de R$ 3,1 bilhões nas vendas de combustÃveis, lubrificantes e hortifrutigranjeiros nos Estados de São Paulo (responsável por quase metade desse valor), Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia e Distrito Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo