29/05/2018 09h12
Planalto identifica ao menos três movimentos 'infiltrados' na greve
O governo apura se três movimentos polÃticos - "Intervenção militar já", "Fora Temer" e "Lula livre" - se infiltraram na paralisação dos caminhoneiros. Eles estariam alimentando os focos que ainda querem manter os bloqueios, mesmo após ter boa parte de suas reivindicações atendidas ou ao menos encaminhadas. Essa é uma leitura feita nas reuniões do gabinete de crise montado pelo Palácio do Planalto na semana passada.
Os caminhoneiros falam abertamente do problema. "Para esses que têm posição extremista, esse ou qualquer outro acordo não iria funcionar porque a intenção não é resolver problemas, mas criar o caos e a instabilidade", disse o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de IjuÃ, no Rio Grande do Sul, Carlos Alberto Litti. Para o lÃder gaúcho, o grupo mais resistente ao acordo é movido "por um tema polÃtico e não econômico".
"A pauta polÃtica existe, mas não vamos nos envolver. Tudo o que os autônomos precisam para voltar a ganhar dinheiro está aqui", disse o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, ao exibir o acordo firmado na noite de domingo. Segundo lÃderes dos caminhoneiros informaram ao Planalto em reunião nesta segunda-feira, 28, os infiltrados somariam algo como 10% a 15% do movimento. A informação foi recebida com irritação pelas autoridades federais, principalmente por envolver o "Fora Temer".
Na segunda, o próprio ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu a possibilidade de haver infiltração polÃtica e informou que a PolÃcia Rodoviária Federal trabalha para apartá-los do movimento. "A PRF conhece as estradas onde trabalha, conhece quem é lÃder do movimento caminhoneiro e sabe das infiltrações polÃticas. Ela está mapeando e não quer cometer nenhuma injustiça. Com muita cautela, vai começar a separar os infiltrados."
O governo avalia já ter feito tudo o que estava a seu alcance para atender à pauta dos caminhoneiros: redução da Cide e do PIS/Cofins no diesel, a promessa de congelamento de preço por 60 dias - e depois reajustes a cada 30 dias -, a liberação da cobrança de pedágio sobre eixo suspenso (quando o caminhão trafega vazio e, por isso, suspende o terceiro eixo) e a reserva de 30% das cargas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para os caminhoneiros autônomos.
Mas, ao lado da pauta dos caminhoneiros, ganhou força a pauta polÃtica. E sobre essa ainda é impossÃvel avaliar a intensidade e extensão do movimento. Os mais pessimistas não descartam o risco de, havendo crescimento dessa vertente, o protesto resvalar para algo semelhante à s manifestações de 2013, quando atos que, inicialmente tinham como questão central a reclamação contra o aumento das passagens de ônibus ganhou dimensão muito maior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo