04/06/2022 17h20
Por reeleição, Centrão pressiona governo a reduzir preço do combustível
O núcleo do Centrão já dá como certa a derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições deste ano caso o governo não consiga baixar o preço dos combustÃveis. Principal fiador do governo, o grupo abandonou o discurso otimista de que Bolsonaro passaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até este mês nas pesquisas de intenção de voto e, agora, sustenta que, se ele não resolver a alta do preço nas bombas, não terá como "começar a jogar" - porque neste caso o "liberalismo vira uma coisa cruel e sanguinária".
O plano de recuperação de Bolsonaro foi batizado por dirigentes do Centrão de Its now or never ("É agora ou nunca", numa tradução livre). A pressa se justifica porque o governo, segundo lÃderes do grupo, precisa mudar a percepção do eleitor. Para tanto, o caminho seria fazer com que esse eleitor percebesse um alÃvio no valor pago pelos combustÃveis; que tivesse certeza de que poderá quitar suas dÃvidas; e que terá recursos para voltar a consumir; por fim, que Bolsonaro fosse visto como o responsável por essa melhora de ambiente.
Como o tempo é curto para o que precisa ser feito, o grupo já trata com ironia o resultado da eleição. Integrantes do Centrão dizem que terão de ser governo de qualquer jeito, "até mesmo com Lula" (leia mais nesta página).
MEDIDAS. Bolsonaro enfrenta resistências da equipe econômica para adotar medidas que repercutam no preço dos combustÃveis. O valor do litro do diesel está, em média, em R$ 6,88, e o da gasolina, em R$ 7,25, segundo dados divulgados ontem pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e BiocombustÃveis (ANP).
Uma das propostas da área polÃtica é a criação de uma bolsa-caminhoneiro e de um auxÃlio para motoristas de táxis e de aplicativos, como mostrou o Estadão. O custo do benefÃcio é estimado em R$ 1,5 bilhão ainda neste ano. Neste caso, a avaliação na equipe econômica é de que a concessão desse subsÃdio para os caminhoneiros arcarem com o custo dos aumentos do diesel seria "válida".
O governo também estuda subsidiar o preço do diesel, mas há restrições impostas pelo teto de gastos - a regra que atrela o crescimento das despesas à inflação. Além disso, o Planalto também precisa convencer o Congresso a tomar medidas para burlar a regra fiscal. Nesse momento, Bolsonaro nem sequer tem um lÃder de governo indicado no Congresso.
CRÃTICAS. "Se não resolver o problema dos combustÃveis, ele só cai (nas pesquisas). Bolsonaro está descendo a ladeira, como já desceu com os caminhoneiros e tantos outros setores da economia por não cumprir o que prometeu", disse o deputado Nereu Crispim (PSD-RS), que foi apoiador de Bolsonaro. "Os caminhoneiros, ele não tem mais, já era." Segundo o parlamentar, a categoria não quer assistencialismo com vale-gás ou vale-combustÃvel. "É um show dele para não se responsabilizar com o que se comprometeu na campanha. Está beneficiando somente os investidores na Bolsa e os lobistas que importam combustÃvel, comprometido com os ricos, com os bancos, com essa inflação de dois dÃgitos."
Crispim diz que a isenção de impostos federais não resolveu o problema da polÃtica de preços praticada atualmente pela Petrobras e que a criação de um teto de 17% para o ICMS sobre os combustÃveis - já aprovada na Câmara e agora em análise no Senado - deve seguir o mesmo caminho: ser "engolida" pelo aumento do dólar e pela variação do preço do petróleo no mercado internacional.
Para o deputado José Nelto (Progressistas-GO), a reeleição de Bolsonaro estaria ameaçada tanto pela alta no preço quanto pela eventual falta de diesel no mercado interno. "O povo elege pelo bolso, e quem ganha abaixo de dois salários mÃnimos não compra mais nada no supermercado, está passando fome. Esses não votam no presidente, não. E a classe média também está arruinada", diz Nelto. "Estamos vivendo um momento muito delicado para o presidente. Se faltar óleo diesel, vai ser uma revolução. Imagine parar o campo, o transporte coletivo, se isso acontecer esquece a reeleição dele." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo