29/06/2017 13h45
Porcentual de famílias inadimplentes sobe pelo 5º mês em junho, diz CNC
O porcentual de famÃlias com dÃvidas diminuiu em junho, mas o de famÃlias inadimplentes subiu pelo quinto mês consecutivo, revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira, 29, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção das famÃlias com dÃvidas ou contas em atraso atingiu 24,3% em junho, o nÃvel mais alto no ano.
A liberação de saques nas contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nos últimos três meses não foi suficiente para reduzir o nÃvel de inadimplência que, tem no desemprego o grande vilão, avalia a economista da CNC, Marianne Hanson.
"O porcentual de famÃlias endividadas caiu porque parte delas aproveitou esse recurso para evitar rolar uma dÃvida, como o rotativo do cartão de crédito. Mas o volume foi insuficiente para aliviar o orçamento das famÃlias com dificuldades de pagar as contas em dia. Boa parte dos saques do FGTS tinha um valor baixo", avalia Marianne. Outra hipótese é que com algum membro da famÃlia desempregado os recursos tenham sido usados para arcar com gastos cotidianos.
A taxa de desemprego no PaÃs alcançou 13,6% no trimestre encerrado em abril, o pior desempenho para essa época do ano dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios ContÃnua (Pnad ContÃnua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE). De acordo com Marianne, a dificuldade em encontrar emprego piora principalmente a situação de famÃlias de baixa renda.
A pesquisa da CNC mostra que o porcentual de famÃlias com contas ou dÃvidas em atraso em junho teve alta apenas no grupo com renda inferior a dez salários mÃnimos. O porcentual passou de 27,3% em maio de 2017 para 27,6% em junho de 2017. Um ano antes, 25,8% das famÃlias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda superior a dez salários mÃnimos a fatia de inadimplentes caiu para 10,8%.
"Do lado da demanda, esse cenário do mercado de trabalho faz com que as famÃlias sejam mais cautelosas. Apesar da melhora da confiança, o medo do desemprego assusta. Do lado da oferta, ainda há dificuldade de encontrar crédito em condições que caibam no bolso", afirma.
Também chama a atenção o total de famÃlias brasileiras que declararam não ter como pagar as dÃvidas. Em março esse indicador alcançou o segundo maior patamar (9,9%) desde o inÃcio da pesquisa, em janeiro de 2010, e não está cedendo significativamente. Em junho o porcentual ficou em 9,6%. "Houve uma queda em abril, mas voltou a subir. Isso quer dizer que há um pessimismo muito grande em relação à capacidade de pagamento, o que bate de novo no desemprego", diz.
Para Marianne Hanson o quadro aponta para uma recuperação lenta do consumo das famÃlias. "Enquanto não houver uma melhora no mercado de trabalho, o que depende da retomada da atividade econômica, será difÃcil ver uma recuperação mais forte do consumo. Mesmo menos endividadas as famÃlias estão sem espaço no orçamento para voltarem a tomar empréstimos e consumir", resume.
Fonte: Estadão Conteúdo