15/02/2021 18h30
Poupança capta R$ 13,229 bi em setembro e saldo supera R$ 1 tri pela 1ª vez
Ainda sob os efeitos da crise provocada pela pandemia do novo coronavÃrus, as famÃlias brasileiras fizeram mais depósitos do que saques na caderneta de poupança no mês passado. Dados do Banco Central mostram que, em setembro, os depósitos lÃquidos somaram R$ 13,229 bilhões. Este é o maior volume de depósitos lÃquidos para um mês de setembro, em valores nominais, em toda a série histórica do BC, iniciada em 1995.
O mês de setembro também foi o sétimo consecutivo em que houve registro de depósitos lÃquidos. Em março, quando a pandemia do novo coronavÃrus fez com que o isolamento social se intensificasse, com reflexos sobre a atividade econômica, as famÃlias haviam depositado R$ 12,169 bilhões lÃquidos na poupança. Em abril, foram R$ 30,459 bilhões; em maio, R$ 37,201 bilhões; em junho, R$ 20,534 bilhões; em julho, R$ 28,144 bilhões; e em agosto, R$ 11,403 bilhões.
Esta corrida para a caderneta é justificada pela postura das famÃlias em relação à crise e pelas ações do governo para manter a renda da população.
Nos últimos meses, o BC vem citando, por meio de documentos oficiais, que existe o risco de que a pandemia aumente a "poupança precaucional" no Brasil. Em outras palavras, o BC vê o risco de que as famÃlias, com medo do desemprego e da redução da renda, aumentem depósitos em aplicações como a caderneta de poupança, para formar um "colchão" em caso de emergências. Isso é visto com ressalvas, porque mais dinheiro na poupança significa menos consumo - e ainda mais dificuldades para as empresas brasileiras.
O pagamento do auxÃlio emergencial à população de baixa renda nos últimos meses, no valor de R$ 600, é outro fator que contribuiu para o aumento dos depósitos na poupança. Os depósitos começaram a ser feitos em 9 de abril e parte deles segue depositada na poupança, por precaução. Além disso, o governo já começou a depositar na conta dos beneficiários a extensão do auxÃlio emergencial, no valor de R$ 300. Este valor continuará a ser depositado até o fim deste ano.
Os números de setembro mostram que os depósitos brutos na caderneta foram de R$ 294,015 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 280,787 bilhões. Com isso, chegou-se à captação lÃquida de R$ 13,229 bilhões. Considerando o rendimento de R$ 1,644 bilhão de setembro, o saldo total da poupança atingiu R$ 1,002 trilhão no mês passado. Esta é a primeira vez na história que o saldo da caderneta supera, em valores nominais, a marca de R$ 1 trilhão.
No ano até setembro, a poupança acumulou depósitos lÃquidos de R$ 137,211 bilhões. Chama a atenção o fato de que a poupança vem recebendo depósitos lÃquidos nos últimos meses a despeito de sua rentabilidade estar cada vez menor. Atualmente, a poupança é remunerada pela taxa referencial (TR), que está em zero, mais 70% da Selic (a taxa básica de juros). A Selic, por sua vez, está em 2,00% ao ano, no menor patamar da história. Na prática, a remuneração atual da poupança é de 1,4% ao ano - um porcentual que pode nem mesmo compensar a inflação corrente.
Esta regra de remuneração da poupança vale sempre que a Selic estiver abaixo dos 8,50% ao ano. Quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano).
Fonte: Estadão Conteúdo