22/04/2019 09h00
Projeto eleva isenção do IR para cinco salários mínimos
Na esteira da Câmara dos Deputados, o Senado Federal também pretende votar mudanças no sistema tributário brasileiro. Projeto de lei do lÃder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), amplia para cinco salários mÃnimos (R$ 4.990,00) a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa FÃsica (IRPF). Para compensar a queda na arrecadação, o projeto acaba com a isenção que é dada hoje para lucros e dividendos distribuÃdos por empresas a seus sócios e acionistas.
Hoje, a faixa de isenção do imposto de renda é de até R$ 1.903,98. A partir deste valor, os descontos são de 7,5%, 15%, 22,5% ou 27,5% sobre o valor dos rendimentos. A última alÃquota é aplicada para quem ganha acima de R$ 4.664,68. Com a mudança, a estimativa é que cerca de 12,3 milhões de contribuintes passariam à condição de isentos. O aumento da faixa de isenção para cinco salários mÃnimos foi uma promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro.
"O meu projeto prova que é possÃvel fazer com aumento de arrecadação", diz o lÃder do MDB. Segundo ele, o partido, que tem a maior bancada no Senado, vai, passada a Páscoa, discutir temas econômicos para acelerar as propostas. O projeto prevê um ganho de arrecadação lÃquido de R$ 26,8 bilhões a R$ 42,2 bilhões, a serem divididos com Estados e municÃpios, já que o IR é repartido pela União com os governos regionais.
A ideia é afinar o discurso também com a bancada do MDB na Câmara. Na busca de protagonismo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já negociou no inÃcio do mês a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) de reforma tributária pelo lÃder do MDB, Baleia Rossi (SP).
Plano
Pelo projeto de Braga, a tributação acima de cinco salários mÃnimos seria unificada em 27,5%, a alÃquota máxima da atual tabela. Para garantir o princÃpio de progressividade, os contribuintes poderiam deduzir a parte que é isenta até cinco salários mÃnimos. Ou seja, quanto maior a renda, maior a alÃquota efetiva. Cálculos feitos para a elaboração do projeto, que contou com consultores do Senado, mostram que a pessoa que tem rendimentos mensais de R$ 7,5 mil teria o imposto reduzido de 15,9% para 9,2%. A redução para quem ganha R$ 10 mil mensais seria de 23,15% para 20,63%.
O projeto prevê uma taxação de 15% dos lucros e dividendos, a mesma alÃquota incidente hoje sobre os ganhos da maioria das aplicações financeiras e em operações com ações. Dividendo é o pagamento que os acionistas de uma empresa recebem pelo lucro gerado. Hoje, os acionistas não precisam pagar impostos sobre os dividendos.
Pelo projeto, micro e pequenos empresários com renda anual de dividendos e lucros distribuÃdos abaixo do limite de isenção da tabela progressiva aplicada aos rendimentos do trabalho, no valor de R$ 59.998,00, poderão ter restituÃdo o imposto retido na fonte. A proposta considera também a redução de 15% para 13,5% da alÃquota padrão do IRPJ. O adicional de 10% do IRPJ que existe hoje cairia para 7,5%. Já a Contribuição Social sobre o Lucro LÃquido (CSLL) não seria alterada.
Por outro lado, o benefÃcio fiscal concedido à s empresas no pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) seria extinto, como também as isenções concedidas para estimular os investidores a optarem por ativos financeiros. Assim como os dividendos, os juros sobre capital próprio também são uma forma de distribuição dos lucros de uma empresa aos seus acionistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo