01/07/2021 12h40
Quase 70% das famílias estão endividadas, maior proporção em mais de uma década
O PaÃs chegou ao fim do primeiro semestre com a maior proporção de famÃlias endividadas em mais de uma década, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), iniciada em 2010, registrou que um recorde de 69,7% de brasileiros tinham dÃvidas em junho, uma alta de 1,7 ponto porcentual em relação a maio, quando essa proporção era de 68,0%. Na comparação com junho de 2020, quando o total de endividados somava 67,1%, o avanço foi de 2,5 pontos.
A pesquisa da CNC considera como dÃvidas as contas em aberto no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.
Em junho, houve piora também na inadimplência, pelo segundo mês consecutivo. O porcentual de famÃlias com dÃvidas ou contas em atraso alcançou 25,1%, ante uma fatia de 24,3% em maio. No mês de junho de 2020, no entanto, a inadimplência era maior, alcançando 25,4% das famÃlias.
O total de famÃlias que declararam não ter condições de pagar as contas ou dÃvidas atrasadas e, portanto, permanecerão inadimplentes cresceu de 10,5% em maio para 10,8% em junho. O resultado ainda ficou 0,8 ponto porcentual abaixo dos 11,6% observados em junho de 2020.
Segundo a CNC, o orçamento das famÃlias tem sido comprometido por fatores como inflação mais elevada e a redução no pagamento do auxÃlio emergencial pelo governo.
As famÃlias mais pobres estão mais endividadas e mais inadimplentes. Entre os que recebem até dez salários mÃnimos mensais, o porcentual de endividados saltou de 69% em maio para 70,7% em junho. Nas famÃlias com renda acima de dez salários mÃnimos mensais, a proporção com dÃvidas cresceu de 64,2% para 65,5% no perÃodo.
Quanto à inadimplência, a proporção de famÃlias com contas ou dÃvidas em atraso na faixa de renda mais baixa aumentou de 27,1% em maio para 28,1% em junho, enquanto que no grupo de renda mais elevada manteve-se estável em 11,9%.
A proporção das famÃlias que se declararam muito endividadas variou de 14,6% em maio para 14,7% em junho, maior parcela desde julho do ano passado. O tempo médio de comprometimento do brasileiro com dÃvidas também tem aumentado, diante de fatores como juros ainda baixos, que possibilitam a renegociação de dÃvidas e estimulam as modalidades de financiamento, com prazos mais longos, justificou a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa da CNC.
"As dÃvidas das famÃlias têm se alongado no perÃodo acima de um ano. O crédito vem ajudando o brasileiro, atua na recomposição de renda, mas a cada mês nós tememos que o orçamento familiar atinja um patamar de dificuldade que impeça ainda mais o consumo e dificulte a reorganização da economia", alertou Izis, em nota oficial, acrescentando que os programas sociais de governos têm ajudado a evitar um problema maior, principalmente na inadimplência.
O tempo médio de comprometimento com dÃvidas entre as famÃlias endividadas mostra tendência de aumento desde abril, passando de 7,0 meses em maio a 7,1 meses em junho. Do total de endividados, 22,4% possuem dÃvidas que vencem em até três meses, enquanto que 32,7% das famÃlias estão endividadas por mais de um ano.
A proporção das famÃlias que apontam o cartão de crédito como principal tipo de dÃvida alcançou um recorde de 81,8% em junho. As demais modalidades mais citadas foram carnês de lojas (17,5%), financiamento de carro (11,9%), crédito pessoal (10,0%) e financiamento de casa (9,1%).
Fonte: Estadão Conteúdo