20/10/2022 07h10
Regra proposta por Lula reajustaria o mínimo em 1,3% acima da inflação
A proposta da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de criar uma regra de correção do salário mÃnimo acima da inflação com base na média do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos cinco anos permitiria um ganho real de 1,3% da renda do trabalhador em 2023. O custo adicional ficaria em torno de R$ 6,2 bilhões.
Hoje, o valor do salário mÃnimo está em R$ 1.212. No projeto de Orçamento, o salário mÃnimo previsto a partir de janeiro de 2023 é estipulado em R$ 1.302, com base na correção apenas da inflação pelo Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Mas o valor pode ser mais baixo, se o INPC fechado do ano for menor, como previu o Ministério da Economia a poucas semanas do envio do projeto de Orçamento ao Congresso, no final de agosto.
A simulação de aumento real proposto pela equipe de Lula leva em conta uma previsão de expansão da economia mais otimista, de 3% neste ano. A partir de 2024, seria aplicada a nova polÃtica de valorização do salário mÃnimo, com o novo arcabouço fiscal também em discussão, para revogar o teto de gastos (a âncora fiscal que atrela as despesas à variação da inflação). Outro ponto relevante em discussão é se a correção do mÃnimo valeria o ano todo ou, por exemplo, a partir de 1.° de maio, Dia do Trabalhador, o que diminuiria o seu custo.
Uma das possibilidades é conceder um reajuste maior, de 2%, o que teria um custo de R$ 10 bilhões se valesse o ano todo. Como o cobertor é curto para 2023 e já há uma série de despesas contratadas para o ano que vem que não cabem no Orçamento do jeito que foi feito, alguns economistas do partido avaliam que a promessa de Lula tem de ser cumprida de forma gradual. Se o aumento real de 2% fosse dado a partir de 1.º de maio, por exemplo, o custo ficaria em torno de R$ 6 bilhões.
Nos últimos anos, o salário mÃnimo tem sido corrigido apenas pela inflação do ano anterior. A última vez que o piso nacional foi reajustado acima da inflação foi no inÃcio de 2019, em um decreto assinado por Bolsonaro no primeiro ano do seu governo. A fórmula de correção seguia até então uma polÃtica de valorização aprovada pelo Congresso ainda no governo Dilma Rousseff.
A valorização do salário mÃnimo é central na agenda econômica do ex-presidente Lula, que em debate na campanha destacou que a polÃtica de maior distribuição de renda adotada no seu governo não foi via somente o programa Bolsa FamÃlia, mas também sustentada pela correção do valor do mÃnimo acima da inflação, que teria, na visão de economistas do partido, sido mais preponderante para inclusão social e de renda do que o programa.
Resistência
Entre os economistas, há resistência à correção do salário mÃnimo acima da produtividade do trabalho. No mercado financeiro, a polÃtica para o mÃnimo é acompanhada com lupa por causa do forte impacto nas contas públicas. No Congresso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), encampou a proposta de desvincular e desindexar as despesas do Orçamento, o que acabaria tendo impacto na polÃtica para o salário mÃnimo ao retirar, por exemplo, a exigência de que benefÃcios sociais e previdenciários estejam atrelados ao piso.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo