03/01/2023 16h00
Renan Filho confirma que governo estudará uso de PPPs para projetos ferroviários
O ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou nesta terça-feira, 3, que o governo vai estudar o uso de parcerias público-privadas (PPPs) para novos projetos ferroviários. O Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) mostrou em reportagem publicada no último mês que o caminho seria analisado pela administração Lula, diante da forte necessidade de recursos para levantar traçados ferroviários.
"O que é novo, é que se a gente tiver condições orçamentárias para fazer PPPs, que governo entre com pedaço, mesmo que pequeno, 5%, 3%, 8%, de um projeto já ajuda", disse Renan Filho a jornalistas após cerimônia de posse.
Ele destacou que também irá aguardar as discussões do novo arcabouço fiscal para analisar e organizar a capacidade de investimento que pasta terá para injetar no setor. "Compromisso número um é terminar ferrovias que estão andando. Para novos grandes projetos, principalmente ferrovias público-privadas. Para conclusão de projetos existentes pode haver alocação de recursos públicos, o compromisso desse governo é de terminar todas as obras públicas em andamento", explicou Renan Filho. "Para novos projetos, obviamente pelas restrições fiscais e orçamentárias, precisa atrair o capital privado, mas teremos essas condições, dialogando com o mundo de maneira respeitosa, respeitando o meio ambiente, a democracia", afirmou, destacando ser necessário trazer investimentos de fora, e de segmento que "tope" receber o retorno em 30 ou até 50 anos.
"Quando fala-se de concessões de ferrovias, são projetos bilionários, que o segmento da sociedade aplica recursos para ter retorno em 30, 40 anos, à s vezes 50 anos. Pessoas só fazem isso se tiver segurança jurÃdica, garantias legais. Brasil já deu passos nesse sentido, mas precisa dar outros", disse o ministro, que citou a necessidade de fazer esforços para reduzir a zero a importância do modal rodoviário no transporte de grãos e minérios, transferindo esse papel para as ferrovias. "Mostra-se na experiência internacional que o melhor caminho é por PPP, e não por uso de recursos públicos porque eles são escassos, e as ferrovias requerem muitos recursos", reforçou.
Ele ainda confirmou que o governo deverá manter o desenho da nova Infra SA, estatal que surgiu da incorporação da EPL e da Valec - a última responsável pela construção de ferrovias com recursos públicos.
Questionado se as PPPs poderão ser usadas para traçados que já estão em construção com investimento cruzado, como Fico e Fiol, Renan Filho disse que precisaria olhar os contratos caso a caso. "Mas incentivos cruzados são práticas usadas em muitos lugares, precisa verificar os melhores caminhos. Vamos ouvir todo mundo", completou.
Rodovias
O ministro dos Transportes afirmou também que há possibilidade de o governo estudar o reequilÃbrio de concessões de rodovias em processo de devolução pelas empresas. Ele destacou, contudo, que essa hipótese será analisada caso a caso, porque só há chances de se fazer o reequilÃbrio quando não houver descumprimento do contrato pela concessionária.
"Há possibilidade, mas precisamos observar caso a caso, porque só há possibilidade de reequilibrar o contrato se a gente observar que não houve descumprimento do contrato, que houve um erro original. Por isso essas questões não podem ser faladas de maneira geral, que é uma fala do ministro dizendo assim 'olha, vou fazer isso e aquilo' nem sempre é bem interpretada", respondeu. "Contrato, de maneira geral, cumpre-se, de maneira especifica. Avalia-se o que houve. Mas, aà tem de olhar: está na esfera administrativa? Está na esfera judicial? Houve decisão judicial? Tudo isso importa na hora da decisão."
Estão na fila da "devolução amigável" a Via-040 (BR-040), a MS Via (BR-163/MS), a Concebra (BR-060/153/262), a Autopista Fluminense (BR-101/RJ), a Rota do Oeste (BR-163/MT), a Rodovia do Aço (BR-393). Quando uma empresa aciona a devolução, o ativo é colocado no futuro novamente a leilão. O ministro indicou, contudo, que poderá avaliar a possibilidade de, em alguns casos, o contrato ser reequilibrado.
Renan Filho disse ainda ser um "defensor extremo do cumprimento de contratos". "Quando descumprimento é privado, há uma leniência maior, por parte da sociedade e também da imprensa. A gente precisa cobrar o cumprimento dos contratos de lado a lado, só assim o pais vai oferecer mais segurança jurÃdica para gente colocar de pé projetos bilionários", disse.
Ele ainda reforçou que pretende continuar com o "calendário total" de concessões organizadas pelo governo Bolsonaro. Observou, contudo, que o novo governo irá analisar antes os projetos. "O presidente Lula já falou e eu queria repetir aqui, nós não vamos deixar nada parar no Brasil, nosso intuito é exatamente botar pra andar o que está parado e o que está andando nada para. Nada para no Brasil, nosso intuito é botar pra andar o que está parado e o que está andando vamos dar uma olhada, revisitar, observar as nuances de cada questão, mas tocar tudo pra frente. Óbvio que vamos verificar pra ver o melhor caminho", disse.
100 primeiros dias
Questionado ainda sobre o plano para os 100 primeiros dias que deve apresentar em até duas semanas, o ministro respondeu que irá elencar por meio desse compromisso quais obras irá retomar, quais empreendimentos serão acelerados e quais entregas serão feitas, por exemplo. "Como vamos agir em caso de emergência, o que vamos fazer para enfrentar o escoamento da safra agrÃcola que está pronta para ser escoada nos próximos três meses, o que vamos fazer no perÃodo de chuvas, é isso que a sociedade quer ouvir e esse que é o papel do ministério, dizer o que vai fazer à s pessoas", afirmou.
Fonte: Estadão Conteúdo