22/08/2020 12h40
Renda Brasil deve ter 8 milhões de pessoas a mais que Bolsa Família
O novo programa assistencial do governo Jair Bolsonaro, batizado de Renda Brasil, deve atender 8 milhões de pessoas além dos que já são contemplados pelo Bolsa FamÃlia. O benefÃcio médio deve ficar entre R$ 250 e R$ 300, acima dos R$ 190 pagos atualmente em média pelo programa atrelado a gestões petistas.
Desde o inÃcio do governo, a equipe econômica e a área social trabalham na criação de um novo programa de transferência de renda para criar uma marca própria do governo Bolsonaro. A ideia ganhou força após o auxÃlio emergencial, benefÃcio social concedido a 66 milhões de brasileiros.
Hoje, 14,2 milhões de famÃlias recebem o Bolsa FamÃlia, mas 95% delas estão recebendo, desde abril, o auxÃlio criado para ajudar no enfrentamento da crise causada pela covid-19. A ideia é que, com o fim do auxÃlio, os beneficiários do Bolsa sejam contemplados no novo programa, juntamente 8 milhões de pessoas a mais (cerca de 2,5 milhões de famÃlias).
O Bolsa FamÃlia usa como linha de corte para a concessão do benefÃcio a situação de cada famÃlia, classificada em extrema pobreza (rendimento de até R$ 89 por pessoa) e pobreza (até R$ 178 por pessoa). O Renda Brasil deve elevar essa linha de corte para R$ 100 e R$ 250, respectivamente.
No novo programa, está prevista a criação de um bônus para as famÃlias com filhos que passarem de ano e tiverem bom desempenho escolar. O prêmio será dado no fim de cada ano. As famÃlias que tiverem jovens fazendo curso profissionalizante também serão beneficiadas.
Beneficiários que têm um filho pequeno também vão ganhar mais. O Bolsa FamÃlia já dá um benefÃcio para a mãe com filho recém-nascido, de zero até os seis meses, mas a ideia do Renda Brasil é estender esse benefÃcio para crianças com até 3 anos. A ideia é que os pais usem esse voucher para matricular os filhos em creches particulares.
Recursos
Os valores e o alcance do novo programa ainda não foram definidos porque o governo vai propor ao Congresso uma revisão de programas considerados ineficientes.
Na mira estão gastos como abono salarial (benefÃcio de um salário mÃnimo voltado para quem ganha até dois pisos, mas que acaba sendo recebido também por jovens de classe média em inÃcio de carreira) e seguro-defeso (pago a pescadores artesanais no perÃodo de reprodução dos peixes, quando a pesca é proibida, mas com alto Ãndice de irregularidades), além do salário-famÃlia (pago a trabalhadores formais e autônomos que contribuem para a Previdência Social, de acordo com a quantidade de filhos).
Para acabar com o abono salarial, é preciso aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que exige apoio de três quintos da Câmara (308 de 513 deputados) e do Senado (49 de 81 senadores). Vários governos já tentaram sem sucesso, inclusive estava prevista uma restrição na reforma da Previdência, mas a medida foi retirada.
O seguro-defeso e o salário-famÃlia dependem da aprovação de um projeto de lei para serem extintos, o que exige apoio da maioria. Mesmo assim, também não é uma tarefa fácil porque tentativas em outros governos não prosperaram.
Ao Estadão, o economista Ricardo Paes de Barros, um dos formuladores do Bolsa FamÃlia, já tinha defendido a unificação dos programas como caminho para o combate à pobreza pós-pandemia. Nas contas dele, com a fusão, seria possÃvel transferir de R$ 100 bilhões a R$ 120 bilhões à população mais vulnerável, com uma renda que vá de R$ 200 a R$ 300 por pessoa. "O Brasil tem condições de zerar a pobreza", afirmou ele, que é professor do Insper e economista-chefe do Instituto Ayrton Senna.
Para Paes de Barros, além de um programa que garanta uma renda mÃnima à s camadas mais vulneráveis, é necessário fazer a inclusão produtiva para que o trabalhador incremente sua renda e alcance autonomia.
A ideia do governo é que o novo programa assistencial tenha uma porta de saÃda: os contemplados vão estar automaticamente habilitados ao novo programa de emprego, uma versão ampliada da Carteira Verde Amarela. O beneficiário vai poder sair da informalidade e ingressar no mercado formal em uma vaga com salário mais baixo e encargos reduzidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo