23/09/2019 07h40
Rentabilidade de títulos públicos de longo prazo ganha fôlego
Com o corte da Selic para 5,5% ao ano, anunciado pelo Comitê de PolÃtica Monetária (Copom) do Banco Central na semana passada, os pequenos investidores já começam a temer a queda de rentabilidade de tÃtulos atrelados à taxa de juros básica da economia brasileira.
O cenário, porém, não é tão ruim para os tÃtulos públicos prefixados de médio e longo prazos, que já registraram crescimento nos ganhos após a nova baixa da Selic. As informações são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que tem Ãndices de acompanhamento para esse tipo de papel.
Os indicadores levam em conta a negociação de tÃtulos no mercado secundário, ou seja, quando uma pessoa fÃsica vende seu tÃtulo para outra. O Ãndice IMA-B5+, formado por papéis de prazo superior a cinco anos, como o Tesouro Prefixado 2025, registrou alta de 1,54% até o meio-dia da última quinta-feira, dia seguinte ao anúncio do Copom. A variação do Ãndice na manhã anterior ao anúncio foi bem mais modesta: ficou em 0,3%.
Os tÃtulos prefixados com até cinco anos para resgate também tiveram ganhos. O IMA-B5, que acompanha o Tesouro Prefixado 2022, teve retorno de 0,59% após a queda da Selic, ante 0,07% do dia anterior.
De acordo com o professor de finanças do Insper Ricardo Rocha, a tendência é que os prefixados se valorizem. Como o rendimento do tÃtulo é estabelecido no momento de compra do papel, o investidor fica sujeito a variações do mercado caso queira vendê-lo antes do prazo previsto. Na situação atual, a venda é bom negócio porque quem busca um tÃtulo pode preferir comprar o mesmo papel no mercado secundário, emitido anteriormente e com rentabilidades mais altas. "Se você tem um tÃtulo prefixado a 6,5% e a taxa caiu a 5,5%, esse 1 ponto porcentual de diferença faz com que seu tÃtulo seja mais atraente aos olhos do mercado. Se você for vender seu papel, ele vale mais", explica.
A professora da Fundação Getulio Vargas Myrian Lund diz que a diferença de preços vem da expectativa do mercado, que estima em quanto estarão as taxas no prazo de vencimento de cada papel. Esse valor varia de acordo com os fundos DI futuros, Ãndice que serve de referência para os juros de empréstimos entre bancos.
Segundo Hilton Notini, gerente de Preços e Ãndices da Anbima, a negociação dos papéis pode ter levado em conta não apenas o corte do Copom, mas também o que os investidores esperam para os próximos meses. "O mercado vem trabalhando com taxas de juros ainda menores", explica. Analistas do mercado já estimam que taxa Selic pode fechar 2019 a 4,75% ao ano.
Popularidade
De acordo com dados do Tesouro Nacional, o Tesouro Direto tinha em julho passado 1,1 milhão de investidores ativos. A popularidade dos tÃtulos públicos vem crescendo: no mês de julho, o Tesouro registrou 36.373 investidores novos, número 3,39% maior do que no mês anterior. O tÃtulo mais popular é o Tesouro Selic, com rentabilidade atrelada à taxa de juros básica, que representou 49,46% das vendas de tÃtulos públicos naquele mês.
Site
A Secretaria do Tesouro Nacional lançou um novo site do Tesouro Direto, onde é possÃvel simular ganhos a partir de variáveis como valor disponÃvel e prazo para resgate. Segundo o gerente do Tesouro Direto, Diego Link, o portal promove a educação financeira. "O usuário pode conhecer conceitos básicos de renda fixa e indexadores. O Tesouro é como uma porta de entrada para o mundo dos investimentos."
Atualmente o Tesouro Selic, o tÃtulo mais popular, atrelado à taxa básica de juros, tem rendimento ligeiramente superior ao da poupança: no caso de aporte de R$ 1 mil aplicado durante um ano, o resgate seria de R$ 1.039,10. Na poupança, ficaria em R$ 1.033,19. O Tesouro faz a ressalva: as simulações não são garantia de rentabilidade, que muda conforme os Ãndices econômicos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo